2022 Notícias

Pandemia da Covid-19 interrompeu prevenção e cuidados com HIV em Barcelona, mas novos casos não aumentaram

Durante a pandemia da Covid-19, diminuiu a quantidade de consultas presenciais e remotas relacionadas à prevenção e cuidados com o HIV no maior centro de atendimento da Espanha, localizado em Barcelona. Enquanto os casos de clamídia e gonorreia aumentaram em 2020, novas infecções pelo HIV foram reduzidas em 28%, no mesmo período, quando comparadas ao ano anterior. Essas foram algumas das descobertas de um estudo, conduzido por Elisa de Lazzari, do Instituto de Saúde Global de Barcelona. O artigo foi publicado, em 28 de abril de 2022, na revista AIDS.

Os pesquisadores realizaram uma análise retrospectiva usando dados de mais de 6 mil pessoas vivendo com HIV. Foram comparadas informações clínicas mensais do período que antecedeu a Covid-19 (de março a dezembro de 2019) e de durante a pandemia (de março a dezembro de 2020). As análises incluíram o número de consultas clínicas realizadas; resultados de testes para HIV, hepatite B e C, sífilis, clamídia e gonorreia; e níveis de carga viral em pessoas vivendo com HIV.

O grupo encontrou uma redução de cerca de 25% nas consultas clínicas ambulatoriais. O número de visitas relacionadas à profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV diminuiu em 45%. Como o Sistema Nacional de Saúde da Espanha só aprovou a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV em novembro de 2019, não foi possível estabelecer uma comparação.

Novos casos de HIV passaram de 199, em 2019, para 143, em 2020 (redução de 28%), mas as infecções detectadas estavam, em sua maioria, mais avançadas. Em 2019, o nível médio de CD4 no diagnóstico era de 370 células/mmᶟ, enquanto no ano seguinte esse número passou para 305 células/mmᶟ. O HIV mais avançado sugere que os novos casos estavam sendo descobertos tardiamente.

A taxa de mortalidade de pessoas que viviam com HIV aumentou durante o período estudado da pandemia da Covid-19. Foram 11 mortes em 2019, contra 29 em 2020. Desses novos óbitos, 12 foram em decorrência do novo coronavírus (nenhum em 2019) e sete por problemas cardiovasculares (um no ano anterior).

O estudo não registrou reduções significativas nos testes de HIV ou para a maioria das outras infecções sexualmente transmissíveis. Embora não tenha havido uma diferença considerável de novos casos de hepatite B e C e sífilis, as ocorrências de clamídia e gonorreia cresceram quase 40% em 2020.

Os autores identificaram que os bloqueios causados pela Covid-19 interromperam as visitas clínicas para as pessoas que vivem com HIV e para quem buscava a PEP. Felizmente, isso não resultou em mais casos da doença. De qualquer forma, recomendam que os provedores continuem a melhorar suas estratégias de prevenção e atendimento com base nas lições aprendidas durante a pandemia do novo coronavírus.

Fonte: site da revista AIDS, de 28 de abril de 2022.

(https://journals.lww.com/aidsonline/Abstract/9000/Impact_of_COVID_19_epidemics_on_prevention_and.96215.aspx)