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Desafios na detecção precoce do HIV durante a PrEP com CAB-LA: caracterização de resultados sorológicos inconclusivos no estudo ImPrEP CAB Brasil

Embora a profilaxia pré-exposição (PrEP) baseada no cabotegravir de longa duração (CAB-LA) seja altamente eficaz na prevenção do HIV, casos raros de aquisição do vírus podem ocorrer. O impacto do CAB-LA na dinâmica de replicação viral tem transformado a detecção precoce do HIV em um desafio cada vez maior para os pesquisadores.

Análise conduzida por Jana Jacobs, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e outros colaboradores*, investigou resultados discordantes em testagem para o HIV entre usuários de PrEP com CAB-LA no sistema público de saúde brasileiro. O ensaio foi exposto, em forma de apresentação oral, na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.

O ImPrEP CAB Brasil foi um estudo de implementação do CAB-LA no mesmo dia da consulta, em serviços de PrEP de seis cidades do país (Campinas, Florianópolis, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Pessoas com idades de 18 a 30 anos foram incluídas após resultados negativos para o HIV em testes rápidos para anticorpos e carga viral de RNA do vírus. Em cada visita subsequente, o CAB-LA era administrado após outro teste rápido negativo.

Entre os 1.220 participantes em uso de CAB-LA incluídos, de novembro de 2023 a setembro de 2024, 14 (1% do total – todos gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens) registraram pelo menos um resultado positivo para o HIV em teste sorológico, realizado retrospectivamente em amostras congeladas. A mediana de tempo entre o início do CAB-LA e o primeiro resultado positivo foi de 142 dias, com uma média de três injeções do medicamento aplicadas durante o período.

Desses 14 voluntários, quatro (grupo A) tiveram um único resultado positivo, seis (grupo B) registraram um teste positivo em amostras de mais de uma visita do estudo e quatro (grupo C) apresentaram múltiplos testes positivos em mais de uma visita. Posteriormente, estas mesmas amostras foram novamente testadas, retrospectivamente, utilizando métodos ultrassensíveis. Todas as amostras registraram resultados não reagentes ou não detectáveis em todos os três grupos.

A evolução dos voluntários foi a seguinte: no grupo A, dois permaneceram em uso da PrEP com CAB-LA e dois se retiraram do estudo; no grupo B, quatro continuaram com o medicamento, um abandonou o estudo e o outro passou para a PrEP oral diária; e no grupo C, todos os quatro permaneceram em uso do CAB-LA.

De acordo com os autores, a ausência do RNA detectável do HIV pelo método ultrassensível, após a continuidade das injeções de CAB-LA, sugere que podem ocorrer resultados falso-positivos para o vírus em testes sorológicos. Eles ressaltam que mais estudos são necessários para auxiliar na resolução desses resultados discrepantes em programas de PrEP com CAB-LA.

*Autores:

Jana Jacobs (1), Brenda Hoagland (2), Carolina Coutinho (2), Marcos Benedetti (2), Diana Hoeth (1), Asma Naqvi (1), Amy Heaps (1), Kerri Penrose (1), John Mellors (1), Sandro Nazer (2), Roberta Trefiglio (2), Raphael Landovitz (3), Valdiléa Veloso (2), Beatriz Grinsztejn (2), Urvi Parikh (1) e Grupo de Estudos ImPrEP.

 

1 – Universidade de Pittsburgh, Pittsburgh, Estados Unidos

2 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

3 – Universidade da California, Los Angeles, Estados Unidos.