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Estudo compara custo-benefício da PrEP injetável com PrEP oral genérica nos EUA

Ainda não é possível saber quanto custará o cabotegravir injetável (CAB-LA), a primeira fórmula de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV de ação prolongada quando chegar ao mercado, que será, provavelmente, no final de 2021 ou no início do próximo ano. Mas uma análise de custo-benefício apresentada na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizado virtualmente de 6 a 10 de março de 2021, por Anne Neilan, do Massachusetts General Hospital, apontou caminhos. O estudo mostrou que, para ser rentável nos Estados Unidos, ela teria que custar menos do que metade do preço cobrado atualmente pelos únicos medicamentos injetáveis ​​para terapia antirretroviral no mercado, a cabotegravir/rilpivirina, conhecida como combinação Cabenuva, que foi licenciada pela Food and Drug Administration dos EUA em janeiro.

Dado o preço listado atual do genérico oral tenofovir disoproxil fumarato/emtricitabina (TDF/FTC) nos Estados Unidos, que é de US$ 8.300 por ano, o CAB-LA não poderia custar mais do que US$ 10.200 para apresentar economia ao longo de 10 anos em relação ao TDF/FTC, se usado em uma população semelhante aos participantes do estudo HPTN 083.

É importante observar que o modelo da análise compara a relação custo-benefício do CAB-LA com a PrEP oral, atualmente utilizado. Em outras palavras, quanto o sistema de saúde gastaria, ou ganharia ao longo de 10 anos, se todos que estivessem usando a PrEP oral mudassem para o esquema injetável? O modelo não levou em consideração as pessoas que não desejavam fazer a PrEP oral, mas que estariam interessadas na versão injetável. Um modelo que fizesse isso poderia encontrar uma relação custo-benefício mais favorável para CAB-LA, pois tem eficácia superior na prevenção de infecções por HIV.

O modelo foi baseado nas características demográficas e comportamentais dos participantes dos EUA no estudo HPTN 083, totalizando 480 mil homens gays e bissexuais e mulheres trans com alto risco de contrair o HIV. Os resultados do modelo foram o número de transmissões primárias de HIV evitadas; o ganho em QALYs (Ajuste de Qualidade de Vida); quanto isso custaria, ou economizaria, se a redução de custos das infecções evitadas pelo HIV fosse subtraída do custo da PrEP; e, finalmente, a proporção da relação custo-benefício, que é a quantidade de dinheiro que cada prescrição de PrEP custaria, dividido pelo custo de cada infecção individual por HIV que ocorreria, se não fossem prevenidas.

O estudo aponta que o atendimento médico total para 480 mil pessoas em 10 anos custaria US$ 33 bilhões sem PrEP; US$ 45 bilhões com TDF/FTC; US$ 60 bilhões com TAF/FTC (tenofovir alafenamida); e US$ 76 bilhões com CAB-LA.  Os pesquisadores concluíram que

se o preço anual do TDF/FTC genérico permanecesse em US$ 8.300, o CAB-LA teria uma boa relação custo-benefício de US$ 11.600/ano. E representaria uma economia de custos: um benefício monetário líquido para o sistema de saúde ao longo desse período, se custasse US$ 10.200/ano ($ 1.900 por ano a mais do que o TDF/FTC).

Outra projeção interessante é que se a PrEP injetável fosse dada a cerca de 1,9 milhão de homens gays e bissexuais e mulheres trans com risco moderado de HIV, não poderia custar além de US$ 1.000 a mais do que TDF / FTC para ser custo-efetivo.

Isso não é impossível de alcançar. O preço do CAB-LA foi baseado em medicamentos injetáveis ​​anteriores, como o contraceptivo Depo-Provera, que custa, agora, no máximo US$ 150 por injeção trimestral, de acordo com a Planned Parenthood. Anne Neilan concluiu: “O preço da PrEP injetável deve competir com a profilaxia baseada em tenofovir genérico, não em relação ao medicamento de marca”. 

Fonte:

Aids Map – https://www.aidsmap.com/news/mar-2021/be-cost-effective-injectable-prep-can-only-cost-about-3000-more-us-generic-oral-prepSite CROI:https://www.croiconference.org/abstract/cost-effectiveness-of-long-acting-prep-among-msm-tgw-in-the-us/