Doxi-PEP: redução dos casos de sífilis e clamídia entre HSH australianos
A Doxi-PEP, profilaxia pós-exposição a infecções sexualmente transmissíveis (IST), baseada no antibiótico doxiciclina, já demonstrou alta eficácia na prevenção de IST bacterianas em diversos ensaios clínicos. Em setembro de 2023, as autoridades de saúde da Austrália publicaram diretrizes nacionais recomendando o uso do medicamento para todos os gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) em risco aumentado de adquirir alguma infecção sexualmente transmissível.
Estudo conduzido por Michael Traeger, do Instituto Burnet, em Melbourne, Austrália, e outros pesquisadores, avaliou o impacto da publicação das diretrizes nacionais sobre a Doxi-PEP entre HSH daquele país. A análise foi apresentada na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.
De janeiro de 2023 a junho de 2025, os investigadores avaliaram dados de vigilância de 25 clínicas de saúde sexual e de hospitais particulares australianos. Foram elegíveis todos os HSH que tivessem mais de 16 anos e fossem considerados como em alto risco para aquisição de IST.
Dos 83.441 participantes incluídos na pesquisa, 30.617 (37%) receberam diagnósticos de alguma infecção sexualmente transmissível em pelo menos uma ocasião. No total, foram registrados 5.712 casos de sífilis, 30.070 diagnósticos de clamídia e 29.362 casos de gonorreia.
Após a divulgação das diretrizes nacionais sobre a Doxi-PEP, os diagnósticos mensais de sífilis diminuíram 1,8%, enquanto os casos mensais de clamídia foram reduzidos em 2,8%. De acordo com os investigadores, esses índices representam uma queda substancial na incidência de IST quando comparados com as taxas do período pré-diretrizes. Não foi observada uma diminuição significativa nos diagnósticos de gonorreia.
Para os autores, a disseminação das diretrizes nacionais sobre a Doxi-PEP esteve diretamente associada a uma redução considerável dos casos de sífilis e clamídia entre os HSH australianos. Eles ressaltam a importância da integração do medicamento como uma estratégia biomédica complementar para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente nos países de média e alta renda.
Fonte: site da AIDS 2026, de 30 de julho de 2026.
(https://programme.aids2026.org/Abstract/Abstract/?abstractid=3695)



