PrEP: temas gerais

SIMPÓSIO SATÉLITE IMPREP NA AIDS 2026: Lições aprendidas na implementação da PrEP com CAB-LA e LEN no Brasil

Na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, o ImPrEP realizou  o simpósio-satélite intitulado “Evidências e lições aprendidas sobre a PrEP na América Latina: o projeto ImPrEP, com Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do estudo ImPrEP LEN Brasil, apresentando as lições aprendidas na implementação da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV com cabotegravir injetável de longa duração (CAB-LA) e lenacapavir (LEN) no país.

Beatriz iniciou a sua apresentação informando que a América Latina é uma das poucas regiões do mundo em que os novos casos de HIV continuam a aumentar. Em seguida, discorreu sobre o estudo ImPrEP e lembrou que, embora a PrEP oral diária tenha se mostrado altamente eficaz em ensaios clínicos e na prática, a persistência na sua utilização foi menor entre os usuários mais jovens, mulheres transgênero e pessoas com menor escolaridade.

O ImPrEP CAB Brasil, realizado de outubro de 2023 a outubro de 2024, foi abordado por Beatriz na sequência. Ela afirmou que o objetivo do estudo foi gerar evidências para orientar políticas nacionais e aos gestores de programas de oferta da profilaxia baseada no uso do cabotegravir injetável a cada dois meses para gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas transgênero e não-binárias, no âmbito dos serviços públicos de PrEP em todo o país.

A população do estudo foi composta por pessoas HIV negativas, de 18 a 30 anos, que nunca haviam usado a PrEP, mas que buscavam pela profilaxia ou pela testagem para o HIV em um dos seis serviços de PrEP escolhidos para integrar o estudo, localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Salvador, Florianópolis e Manaus.

No total, 1.447 participantes foram incluídos, dos quais 87% optaram pelo CAB-LA, em detrimento da PrEP oral diária. Uma intervenção de saúde digital (mHealth), desenvolvida especialmente para apoiar a escolha da modalidade de PrEP, apresentou alta aceitabilidade entre os voluntários. Aqueles que tiveram acesso à ferramenta registraram maior probabilidade de escolher o CAB-LA.

Durante o período de acompanhamento do estudo foram registrados quatro diagnósticos de HIV entre os usuários do CAB-LA. Desses casos, um foi identificado retrospectivamente como uma infecção aguda já existente no momento da inclusão, um ocorreu após a interrupção do uso do medicamento por 407 dias e os outros dois aconteceram apesar da administração das injeções dentro do prazo estipulado. Um desses participantes registrou resistência a medicamentos inibidores da integrase.

A pesquisadora prosseguiu apresentando os resultados preliminares do período de extensão do ImPrEP CAB Brasil, de setembro de 2025 a julho de 2026. Segundo Beatriz, 984 voluntários compareceram às visitas finais do estudo, dos quais 963 passaram para a fase de extensão. Desses, 907 receberam a aplicação do CAB-LA dentro do prazo estipulado e 56 por meio de reinício (reload). A adesão geral às injeções manteve-se elevada (89%).

O ImPrEP LEN Brasil, cujo objetivo principal é buscar subsídios visando a implementação da PrEP com lenacapavir injetável de aplicação semestral no Sistema Único de Saúde brasileiro, também foi abordado pela pesquisadora. Ela relatou que a população do estudo é composta por pessoas pertencentes a minorias sexuais e de gênero, HIV negativas, que buscam por PrEP, PEP (profilaxia pós-exposição) ou testagem do HIV em nove serviços de PrEP, localizados em sete cidades brasileiras (Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São Paulo, Campinas, Salvador, Florianópolis e Manaus).

Uma inovação importante é a integração de uma unidade de saúde móvel, que promete aumentar o acesso de comunidades desassistidas à profilaxia. A intervenção digital (mHealth) usada anteriormente no ImPrEP CAB Brasil foi atualizada com as informações sobre o lenacapavir e também está sendo utilizada nesse estudo.

Beatriz informou que a inclusão de participantes começou em fevereiro de 2026 e, até o momento, 740 pessoas já foram incluídas no estudo e que, 97% optaram pelo LEN. Explicou que todos os voluntários tomam uma dose de “carga” oral do medicamento antes da primeira injeção, para assegurar a proteção imediata.

A pesquisadora encerrou sua apresentação ressaltando as principais lições aprendidas no ImPrEP CAB Brasil. Destacou a importância da capacitação dos profissionais de saúde para apoiar o aconselhamento sobre PrEP, a enorme preferência dos participantes pelas opções injetáveis de longa duração e a alta aceitação da intervenção de mHealth, que apoiou fortemente as tomadas de decisão. A pesquisadora finalizou celebrando a reduzida taxa de abandono e a alta cobertura de PrEP registradas no estudo.