HIV, IST e Outros

Fatores determinantes para a transmissão vertical do HIV na África Subsaariana

Eliminar a transmissão vertical do HIV (quando o vírus é adquirido pelo bebê durante a gravidez, o parto ou a amamentação) continua sendo um grande desafio de saúde pública na África Subsaariana. Apesar da expansão da cobertura da terapia antirretroviral (TARV), as lacunas no acesso ao tratamento entre as mulheres grávidas e puérperas continuam a impulsionar novas infecções pediátricas na região.

Estudo publicado em 19 de junho de 2026, no Journal of the International AIDS Society, avaliou os fatores responsáveis pela transmissão vertical do HIV e simulou o potencial impacto da profilaxia pré-exposição (PrEP), na modalidade injetável semestral, para prevenir essas infecções na África Subsaariana. A análise foi conduzida por Anna Yakusik, do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), em Genebra, na Suíça, e outros pesquisadores.

Levando-se em consideração dados oficiais da UNAIDS de 2024, estimou-se que ocorreram 98 mil novas infecções pelo vírus, via transmissão vertical, na África Subsaariana. A falta de acesso à TARV foi responsável por 46% dessas infecções, enquanto a interrupção do tratamento na época da gravidez ou da amamentação representou 25% dos diagnósticos de HIV nos bebês. Os países que apresentaram as maiores taxas de transmissões verticais foram África do Sul (59%) e Zâmbia (45%).

De acordo com simulações realizadas por modelos matemáticos, a implementação da PrEP injetável semestral para as gestantes da região poderia ter evitado cerca de 56 mil novas transmissões verticais do vírus, desde que a adesão à profilaxia fosse de aproximadamente 65%, durante um período de 2,2 anos (gestação, parto e amamentação). Foi registrado um custo líquido de US$ 8.530 por infecção evitada.

Para os autores, as lacunas no acesso e na adesão à TARV entre mulheres grávidas e puérperas continuam sendo os principais fatores para a transmissão vertical do HIV na África Subsaariana. Eles afirmam que a PrEP injetável semestral tem um alto potencial para reduzir a taxa de infecções pediátricas e aconselham a incorporação dessa modalidade da profilaxia aos programas de prevenção do HIV já existentes nos países do continente africano.

Fonte: site do Journal of the International AIDS Society, de 19 de junho de 2026.

(https://www.aidsmap.com/news/jul-2026/modelling-study-backs-targeted-not-universal-lenacapavir-prep-pregnancy-and)