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Estudo ImPrEP: medidas diretas e indiretas e fatores associados à dificuldade de adesão à PrEP no Brasil, México e Peru

A profilaxia pré-exposição (PrEP) na modalidade oral diária, à base de tenofovir, é fundamental para a prevenção do HIV na América Latina. O monitoramento da adesão à profilaxia é crucial para maximizar seu impacto e identificar pessoas que podem precisar de um apoio adicional.

Análise conduzida por Thiago Torres, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ, e outros colaboradores*, avaliou o desempenho de medidas diretas e indiretas de adesão e os fatores associados à não adesão à PrEP no Brasil, México e Peru. O ensaio foi publicado, em 25 de julho de 2026, no Journal of the International AIDS Society.

O ImPrEP foi um estudo de implementação da PrEP oral diária, que, de fevereiro de 2018 a junho de 2021, recrutou 9.509 participantes pertencentes a minorias sexuais e de gênero. Para essa análise, foram incluídos gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), de 18 a 24 anos, e mulheres transgênero, maiores de 18 anos, com pelo menos uma amostra de sangue seco coletada.

A adesão à PrEP foi medida diretamente (níveis do medicamento em amostras de sangue seco) e indiretamente (taxa de posse do medicamento e autorrelato). Os investigadores utilizaram equações de estimação generalizada para identificar os fatores relacionados à não adesão à profilaxia.

Um total de 2.096 voluntários (1.692 HSH e 404 mulheres trans), com 4.257 amostras de sangue seco coletadas, acabaram incluídos na análise. No geral, 62,3% das amostras de sangue seco apresentavam níveis protetores do medicamento, que diminuíram significativamente ao longo do tempo (para 33,8% na semana 124). A adesão à PrEP medida por meio das taxas de posse do medicamento e de autorrelatos apresentaram uma concordância moderada com as amostras de sangue seco.

Levando em consideração os jovens adultos (de 18 a 24 anos), a não adesão à PrEP foi maior entre mulheres transgênero, participantes com menor grau de escolaridade e  voluntários do Peru. Entre as mulheres trans, a não adesão à profilaxia foi maior entre aquelas com menor grau de escolaridade, as mais jovens e as que viviam no Peru e no México. Comportamentos sexuais autorrelatados que indicavam alta exposição ao HIV foram associados a uma maior probabilidade de adesão à PrEP.

Para os autores, os determinantes sociais de saúde, particularmente a educação, emergiram como os principais fatores que dificultam não adesão à PrEP entre HSH e mulheres transgênero na América Latina. Eles ressaltam que os programas voltados à profilaxia devem priorizar intervenções centradas na pessoa, que abordem o estigma nos serviços de saúde, removam barreiras ao engajamento contínuo, fortaleçam o letramento em saúde e incluam modalidades de PrEP de longa duração.

Fonte: site do Journal of the International AIDS Society, de 25 de julho de 2026.

(https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jia2.70154#)

*Autores:

Thiago Torres (1), Mayara Secco (1), Brenda Hoagland (1), Luana Marins (1), Carolina Coutinho (1), Emilia Jalil (1), Pedro Leite (1), Marcelo Cunha (2), Ronaldo Moreira (1), Iuri Leite (2), Kelika Konda (3), Juan Guanira (3), Marcos Benedetti (1), Cristina Pimenta (1), Hamid Vega-Ramirez (4), Sandra Cardoso (1), Carlos Cáceres (3), Peter Anderson (5), Beatriz Grinsztejn (1), Valdiléa Veloso (1) e Grupo de Estudos ImPrEP

1 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

2 – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

3 – Universidade Peruana Cayetano Heredia, Lima, Peru

4 – Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de la Fuente Muñiz, Cidade do México, México

5 – Universidade de Colorado, Aurora, Estados Unidos.