Aceitabilidade e uso da Doxi-PEP entre HSH, pessoas não-binárias, travestis e mulheres transgênero nos EUA
A profilaxia pós-exposição com doxiciclina (Doxi-PEP) tem se mostrado uma estratégia promissora para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (IST) bacterianas, sobretudo sífilis e clamídia. Em um cenário internacional de preocupação com o aumento dessas infecções, a Doxi-PEP surge como uma importante ferramenta de prevenção, especialmente entre populações mais expostas às IST.
Artigo publicado em julho de 2026 na revista Sexually Transmitted Infections e assinado por Nathanael Gistand, da Universidade da Califórnia, e outros colaboradores, inclusive do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ, * avaliou a aceitabilidade e o uso dessa profilaxia entre homens cisgênero que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não-binárias designadas como do sexo masculino ao nascer, travestis e mulheres transgênero de diferentes regiões dos Estados Unidos. Os dados foram coletados de março a abril de 2023 a partir de um questionário on-line veiculado em aplicativos de rede social.
Ao todo, 1.428 voluntários responderam à pesquisa e os resultados demonstraram uma enorme lacuna entre o uso efetivo e o interesse pela Doxi-PEP. Apenas 9% já a haviam utilizado e 2,5% faziam uso durante a participação no estudo. Ainda assim, 88,3% das pessoas que não a utilizavam demonstraram interesse. Os fatores associados ao uso da profilaxia foram: autodeclaração como pessoa negra, maior número de parceiros sexuais, uso atual da profilaxia pré-exposição (PrEP) e viver com HIV.
Um dos pontos reforçados pelos autores para contextualizar os resultados é que essa pesquisa precede em um ano o lançamento das diretrizes nacionais sobre a prescrição e o uso da Doxi-PEP nos EUA, o que ajuda a explicar sua baixa utilização naquele período. Ainda assim, os achados oferecem um importante retrato inicial da receptividade à estratégia e podem servir de referência para acompanhar sua adoção após a implementação das recomendações nacionais.
Link para o artigo: https://sti.bmj.com/content/sextrans/early/2026/07/01/sextrans-2025-056746.full.pdf
* Autores do artigo:
Nathanael Gistand (1), Thiago Torres (2), Connie Celum (3), Annie Luetkemeyer (1), Susan Buchbinder (1, 4) e Hyman Scott (1, 4).
(1) Divisão de HIV, Doenças Infecciosas e Medicina Global, Universidade da Califórnia, São Francisco, EUA
(2) Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil
(3) Departamento de Epidemiologia, Universidade de Washington, Seattle, EUA
(4) Bridge HIV, Departamento de Saúde Pública de São Francisco, São Francisco, EUA.



