A cura como processo, não como produto: o que as comunidades brasileiras podem ensinar à pesquisa sobre a cura do HIV
A pesquisa biomédica sobre a cura do HIV tem definido cura, em grande parte, por meio de parâmetros virológicos, muitas vezes negligenciando como as comunidades a compreendem, imaginam e produzem conhecimento a respeito.
Baseando-se em histórias brasileiras de ativismo em HIV, engajamento comunitário e práticas artísticas, além da experiência da própria autora, Pisci Bruja, pesquisadora da Universidade de São Paulo e educadora de pares do estudo ImPrEP LEN Brasil, em artigo publicado na revista Global Public Health, de outubro de 2026, defende que as comunidades devem ser reconhecidas não apenas como participantes, mas também como produtoras de conhecimento que moldam as questões da pesquisa, as prioridades e as definições de sucesso.
A experiência e o engajamento comunitário, por meio do Hope Collaboratory (consórcio global de pesquisa científica), ilustra como relacionamentos contínuos contribuem para a produção de conhecimento. A autora também considera as práticas artísticas de pessoas vivendo com HIV como formas de investigação e tecnologias de cura, por meio das quais o estigma, a violência estrutural e a memória coletiva podem ser nomeadas, contestadas e reelaboradas.
Distinguindo a cura biomédica de cura, o artigo apresenta a cura como um processo cujo significado é moldado antes, durante e depois da intervenção biomédica. Uma cura relevante e equitativa depende não apenas do que acontece com o vírus, mas também de como o conhecimento fundamenta a pesquisa, de como os riscos e benefícios são distribuídos, de quem tem acesso às intervenções e de quais futuros as comunidades conseguem imaginar.
Fonte: revista Global Public Health, de 22 de outubro de 2026.
Confira o artigo completo em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/17441692.2026.2751796#abstract



