HIV, IST e Outros

Cânceres relacionados ao HPV em pessoas transplantadas que vivem com HIV

Estudo publicado em 30 de junho de 2026, na revista JAMA Network, examinou a incidência de cânceres relacionados ao papilomavírus humano (HPV) em pacientes que vivem com HIV e receberam transplantes de órgãos sólidos (coração, pulmão, rim, pâncreas e fígado). O ensaio foi conduzido por Eva Meglic, do Hospital Universitário Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, e outros pesquisadores.

Os investigadores realizaram um estudo observacional e retrospectivo com pessoas que nasceram de 1940 a 2000 e residiam em cidades suecas de 1983 a 2024. Pacientes que viviam com HIV e eram transplantados foram pareados com outros que também viviam com o vírus mas não receberam transplantes.

No total, 32.093 participantes que viviam com HIV e receberam transplantes de órgãos sólidos e 320.930 pessoas que viviam com o vírus, mas não eram transplantadas, foram incluídos na pesquisa. Em ambos os grupos, aproximadamente 65% eram do sexo feminino. A mediana de idade da amostra foi de 50 anos.

Ao final do período de acompanhamento, os participantes que viviam com HIV e eram transplantados registraram uma probabilidade significativamente maior de desenvolver alguma modalidade de câncer relacionada ao HPV, em comparação com aqueles que viviam com o vírus mas não receberam transplantes.

Entre os que receberam órgãos sólidos, os tipos de cânceres mais comuns foram o vulvar e o peniano, enquanto para os não transplantados, o anal foi o mais diagnosticado. Pacientes que apresentavam falha virológica, pessoas com contagens de células CD4 mais baixas, os desfavorecidos economicamente e os solteiros foram associados a maiores chances de desenvolvimento de cânceres relacionados ao HPV nos dois grupos.

Para os autores, os achados dessa análise confirmam que os pacientes que vivem com HIV e receberam transplantes de órgãos sólidos têm uma propensão acima da média dos demais grupos para desenvolver algum câncer relacionado ao HPV. Eles destacam a necessidade de um maior investimento em prevenção por parte do governo local, incluindo o rastreamento periódico e a vacinação contra o HPV.

Fonte: site da JAMA Network, de 30 de junho de 2026.

(https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2850961?resultClick=3)