Evidências sobre a PrEP de longa duração entre adolescentes no Brasil
“Evidências e lições aprendidas sobre a PrEP na América Latina: o projeto ImPrEP” foi o tema do simpósio-satélite apresentado pelo projeto na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizado, no Rio de Janeiro, de 26 a 31 de julho. O simpósio contou com a participação de Inês Dourado, coordenadora do estudo PrEP1519, que apresentou evidências sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV de longa duração entre adolescentes no Brasil.
Inês focou sua apresentação no referido estudo, em sua etapa de implementar a profilaxia injetável de longa duração baseada no cabotegravir (CAB-LA) junto a jovens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, mulheres transgênero e pessoas não- binárias, de 15 a 19 anos, residentes nas cidades de Salvador, Belo Horizonte e São Paulo.
Um total de 644 participantes foram incluídos no estudo, dos quais 365 (56,7%) escolheram inicialmente a PrEP oral diária e 279 (43,3%) o CAB-LA. No decorrer do período de acompanhamento, 24,7% dos adolescentes que optaram pela modalidade oral diária mudaram para o esquema injetável e 10,7% que escolheram o CAB-LA passaram a tomar a PrEP oral diária. No final da análise, 52,6% dos jovens utilizavam o CAB-LA e 47,4% o esquema oral diário, com uma persistência de 88,8% e 79,3%, respectivamente.
De acordo com a pesquisadora, as injeções de CAB-LA foram bem toleradas. As reações adversas encontradas foram consideradas leves, sendo a maioria desconforto no local da aplicação. Ela informou que a equipe do estudo realizou uma triagem psiquiátrica intensificada após o surgimento de casos de ideação ou comportamento suicida. Foram 19 eventos dessa natureza registrados em 13 usuários do CAB-LA e cinco eventos ocorridos em quatro adolescentes que tomavam a PrEP oral diária.
Os principais fatores associados à escolha ou troca para o CAB-LA foram o uso anterior da PrEP oral diária e o enfrentamento de episódios de estigma e discriminação ao longo da vida. Voluntários pretos e pardos foram os que mais demonstraram intenção de trocar a modalidade oral diária pela injetável.
Para encerrar sua apresentação, Inês ressaltou que os adolescentes tendem a escolher a modalidade de PrEP que mais se adapte a seus estilos de vida e que o CAB-LA melhorou a adesão à profilaxia, além de atrair os jovens em condições de maior vulnerabilidade social. Também afirmou que a prevenção do HIV centrada nessa população deve integrar as diversas modalidades disponíveis de PrEP a serviços de saúde mental.



