Tratamento do HIV na China: dispensações semestrais e trimestrais de medicamentos
A dispensação de medicamentos antirretrovirais por vários meses, como um modelo de prestação de serviços diferenciados, pode ter a capacidade de reduzir custos sem afetar na adesão ao tratamento do HIV.
Um estudo conduzido por Wenqi Shenyang, da Universidade Médica da China, em Shenyang, e outros pesquisadores, avaliou o impacto da dispensação de medicamentos antirretrovirais por três e seis meses na adesão e nos custos do tratamento da infecção pelo HIV entre pacientes chineses. A análise foi publicada, em 24 de junho de 2026, no Journal of the International AIDS Society.
De dezembro de 2022 a julho de 2024, os investigadores realizaram estudo randomizado envolvendo pacientes do Hospital da Universidade Médica da China. Os participantes, que deviam apresentar supressão viral (carga viral abaixo de 50 cópias/ml) no momento da inclusão, foram aleatoriamente alocados em grupos com dispensações de medicamentos por três ou seis meses e, posteriormente, acompanhados por 18 meses.
No total, 1.588 pessoas acabaram incluídas na pesquisa, das quais 789 ficaram no grupo de dispensação de medicamentos por três meses e 799 foram para o grupo de dispensação de medicamentos por seis meses. Não havia diferenças significativas entre os grupos em relação a características clínicas e demográficas. A mediana de idade da amostra foi de 40 anos.
Na análise por intenção de tratar (quando todos são analisados, independentemente de terem concluído o tratamento, desistido do estudo ou mudado de grupo), as taxas de adesão à terapia foram de 94,9% no grupo de dispensação trimestral de medicamentos e de 94,2% no de dispensação semestral. Os índices de supressão viral também foram elevados: 94,6% no grupo de dispensação de medicamentos por três meses e 94,1% no de dispensação de medicamentos por seis meses.
Os participantes que receberam a dispensação semestral de medicamentos registraram duas consultas ambulatoriais a menos por ano quando comparados com aqueles que tiveram a dispensação trimestral (três visitas/ano contra cinco visitas/ano). Levando em consideração ambos os grupos, registrou-se uma redução média de 27,7% nos custos totais do tratamento e uma diminuição média de 16,7% na perda de produtividade no trabalho.
Para os autores, a dispensação de medicamentos por três e seis meses se mostrou altamente eficaz, já que não impactou de maneira estatisticamente significativa na adesão ao tratamento e na taxa de supressão viral entre a população do estudo. Eles destacam que novas pesquisas são necessárias para que o assunto seja investigado com maior profundidade e outros países possam se beneficiar com essa prática.
Fonte: site do Journal of the International AIDS Society, de 24 de junho de 2026.



