HIV, IST e Outros

Fatores associados a níveis anormais de cortisol em pessoas vivendo com HIV

Os avanços da terapia antirretroviral (TARV) proporcionam uma melhor qualidade de vida a quem vive com HIV, mas existem evidências de disfunções metabólicas, incluindo níveis anormais de cortisol (hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais), associadas ao tratamento do vírus.

Estudo conduzido por Han Yajuan, da Universidade Médica de Guangzhou, na China, e outros pesquisadores, avaliou os fatores associados a níveis anormais de cortisol entre pessoas com HIV. O ensaio foi publicado, em 26 de julho de 2026, na revista Endocrinology Advisor.

Os investigadores coletaram, de maio de 2017 a março de 2025, informações de registros eletrônicos de saúde de pessoas que realizaram as primeiras medições de cortisol na unidade de doenças infecciosas da Universidade Médica de Guangzhou, localizada no sul do país.

No total, 117 participantes, com mediana de idade de 40 anos, foram incluídos na pesquisa, dos quais 70,9% eram do sexo masculino. Quase metade (47,9%) apresentava níveis anormais de cortisol (37,6% com cortisol baixo e 10,7% com cortisol alto). O intervalo médio entre o diagnóstico de HIV e o primeiro teste de cortisol foi de 43 meses. A maioria dos pacientes (83,8%) relatou uso regular da TRAV.

Quando comparados com os participantes com níveis considerados normais de cortisol, aqueles com níveis anormais do hormônio tinham maior probabilidade de registrar uma pressão arterial diastólica, também conhecida como pressão arterial “mínima” (medida pelo segundo número da pressão arterial), mais elevada (8 mmHg contra 7 mmHg).

Os voluntários com níveis considerados normais de cortisol demoravam, em média, menos tempo para alcançar a supressão viral (20,5 meses contra 27 meses) e apresentavam contagens médias de células CD4 mais altas, em comparação com os pacientes com níveis anormais do hormônio. Não foi registrada diferença significativa na utilização da TARV entre os participantes que possuíam níveis normais e anormais de cortisol (77% contra 75%, respectivamente).

Segundo os autores, os níveis anormais de cortisol em pessoas vivendo com HIV resultam em manifestações clínicas inespecíficas e o diagnóstico tardio pode causar complicações graves, incluindo a morte. Eles recomendam um monitoramento periódico do hormônio, especialmente entre aqueles que adquiriram o vírus há mais de sete anos.

Fonte: site da Endocrinology Advisor, de 5 de agosto de 2026.

(https://www.endocrinologyadvisor.com/news/art-regimens-cortisol-levels-hiv/#xd_co_f=ZWE0ZjI0MzMtYTE2Ni00M2QwLThkOGItY2EwOWIwZTY5YjA1~)