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Nos EUA, pessoas com HIV tendem a receber mais prescrições de opiáceos

Estudo conduzido por Sthephanie Shiau, da Rutgers School of Public Health, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores, aponta que as pessoas que vivem com HIV têm maior probabilidade de receber prescrições de opiáceos (medicamentos para dor crônica, à base de ópio, que podem causar dependência química, problemas cognitivos, quedas e até a morte) e de serem diagnosticadas com transtornos por consumo excessivo da substância do que as pessoas HIV negativas. A análise foi apresentada na 31ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada de 3 a 6 de março, em Denver, nos Estados Unidos.

De 2008 a 2019, os investigadores utilizaram dados de um programa do governo norte-americano que concedia reembolso para prescrições de opiáceos. Um total de 124.488 pacientes que viviam com HIV foram comparados com 373.464 participantes HIV negativos. O pareamento foi baseado em critérios como idade, sexo, raça/etnia e local de residência.

Quase 70% eram do sexo masculino, com divisão uniforme entre brancos e negros (41% para cada grupo), sendo a faixa etária dos 65 aos 69 anos, com cerca de 50% dos participantes, a de maior representatividade.

Apesar da redução das taxas de utilização de opiáceos entre 2008 e 2019, as maiores porcentagens daqueles que receberam pelo menos uma prescrição da substância ficaram entre os que viviam com HIV: 43% da amostra em 2008 e 32% em 2019. Na comparação com as pessoas HIV negativas, a prescrição de opiáceos variou de 30% da amostra em 2008 para 23% em 2019. Durante o período de acompanhamento, os indivíduos com HIV tiveram até 1,4 vezes mais chances de receber uma prescrição da substância do que os participantes sem o vírus.

Da mesma forma, os pacientes que viviam com HIV tinham uma probabilidade significativamente mais elevada de serem diagnosticados com perturbações por consumo excessivo de opiáceos quando comparados com os HIV negativos (2% da amostra em 2008 e 5% em 2019 contra 0,6% em 2008 e 1,9% em 2019).

“As descobertas desse estudo são importantes para orientar o uso de opiáceos entre as pessoas com HIV”, afirmou Shiau. De acordo com a pesquisadora, análises mais abrangentes são necessárias para que o assunto possa ser investigado com maior profundidade.

Fonte: site da CROI, de 5 de março de 2024.

(https://www.croiconference.org/abstract/prescription-opioid-use-and-disorder-among-older-adults-with-hiv-in-the-us-from-2008-2019/)