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Disparidades observadas em estudo sobre uso da PrEP nos EUA

Estudo conduzido por J. Carlo Hojilla, da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), aponta que mulheres, negros, latinos, pessoas mais jovens e pessoas mais pobres são menos propensas a receber prescrição para a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV e começar a tomá-la, e, uma vez recebida, tornam-se mais propensas a interromper o seu uso quando comparadas a brancos, homens mais velhos e de origens socioeconômicas mais altas. O estudo foi publicado, em 26 de agosto de 2021, na revista on-line JAMA Network Open.

Um total de 13.906 pessoas, vinculadas a uma grande seguradora de saúde da Califórnia, participaram do ensaio, das quais 95% eram homens, 49% brancas, 22% latinas e 7% negras. Foram criados cinco grupos socioeconômicos, com um número aproximadamente igual de pessoas em cada grupo. Vinte e cinco por cento dos participantes apresentavam transtornos por uso de álcool, 8% faziam uso de alguma substância química e 16% foram diagnosticados com alguma infecção sexualmente transmissível no ano anterior ou até um mês após o início da PrEP.

Dados sobre a prescrição

Oitenta e cinco por cento receberam prescrição de PrEP até o final do estudo. Destaque para os seguintes dados comparativos em termos do recebimento da prescrição da profilaxia:

– Pessoas com mais de 45 anos tinham 21% mais probabilidade de recebê-la do que jovens de 18 a 25 anos;

– Mulheres apresentavam44% menoschances do que os homens;

– Pessoas negras e latinas tinham 26% e 12%, respectivamente, tinham menor probabilidade do que pessoas brancas;

-Indivíduos do grupo socioeconômico mais baixo reuniam 28% menos chances do que os do grupo socioeconômico mais alto;

– Pessoas com transtornos relativos ao uso de substâncias apresentavam 12% de menor probabilidade dereceber a prescrição, de forma geral.

Dados sobre a descontinuidade

Depois de ter a PrEP prescrita, 98% começaram a tomá-la. Interromper o seu uso por mais de quatro meses foi definido como descontinuidade. Aqui, alguns dados comparativos em relação à descontinuidade:

– Pessoas com mais de 45 anos apresentavam 54% menos chances de descontinuidade, de forma geral;

– Mulheres tinham probabilidade duas vezes maior em relação aos homens;

– Pessoas negras e latinas, 36% e 33% respectivamente, apresentavam maiores chances do que pessoas brancas;

– O grupo socioeconômico mais baixo tinha 40% mais chances em comparação com o grupo socioeconômico mais alto;

– Pessoas com transtornos relativos ao uso de substâncias apresentavam 23% mais chances de descontinuidade, de forma geral.

Outros resultados

Cento e trinta e seis pessoas foram diagnosticadas com HIV durante o estudo, sendo que um terço foi diagnosticado ao verificar a elegibilidade para PrEP. Excluindo esses casos, a taxa de incidência foi de 0,35% no geral, 0,87% entre os que receberam a prescrição mas não iniciaram a profilaxia e 1,28% entre aqueles que pararam com a PrEP e não a reiniciaram. Não houve registro de infecções naqueles que permaneceram na profilaxia durante todo o estudo.

“Essas descobertas sugerem que o acesso aos cuidados de saúde por si só não é suficiente para otimizar a oferta da PrEP e atingir os objetivos nacionais de proteção do HIV, incluindo impacto populacional e equidade. São necessárias novas estratégias mais abrangentes e adaptadas para as populações de alta prioridade”, afirmam os pesquisadores.

Fonte: site do Aidsmap, de 21 de outubro de 2021.

(https://www.aidsmap.com/news/oct-2021/stark-disparities-seen-all-along-us-prep-continuum)

Link para o estudo: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2783509