Outros temas

Medicamentos injetáveis contra o HIV devem ser práticos e acessíveis, afirmam pesquisadores

Os avanços no tratamento do HIV nos últimos anos foram dominados por potentes inibidores da integrase e regimes de comprimidos únicos diários, mas a década que está começando promete ser uma era de medicamentos de longa duração. A afirmação foi feita por Diane Havlir, da Universidade da Califórnia, na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI 2021), realizada virtualmente de 6 a 10 de março.

Enquanto as atenções dos usuários estão voltadas para o cabotegravir (injetável para prevenção) e o cabotegravir/rilpivirina (injetável para tratamento), outras substâncias de longa duração foram ou estão sendo desenvolvidas por pesquisadores. O anel vaginal mensal de dapivirina foi liberado para o uso e o lenacapavir está sendo testado como uma injeção semestral. Já o islatravir tem tanta persistência no corpo humano que pode funcionar como uma pílula mensal ou um implante anual.

Outro novo medicamento disponível é o ibalizumabe, que funciona como uma injeção a cada duas semanas para o tratamento do HIV multirresistente. O problema é que a substância deve ser tomada em combinação com comprimidos diários, não tento, portanto, as especificidades que muitos consideram atraentes em um regime de ação prolongada: doses menos frequentes e maior discrição.

Para Hyman Scott, também da Universidade da Califórnia, ter substâncias de longa duração como opções adicionais permite alcançar pessoas que não se adaptam ao uso da dosagem diária. A experiência com anticoncepcionais e medicamentos antipsicóticos comprova quecontar com  mais opções faz com que os médicos consigam atingir uma quantidade maior de indivíduos com problemas em termos de adesão.

Já François Venter, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, se mostra menos convencido de que as pessoas com mais dificuldade em tomar medicamentos diários comparecerão às consultas a cada quatro ou oito semanas: “Os antirretrovirais injetáveis são importantes, mas não creio que sejam a solução mágica para a adesão”, disse ele. E finalizou: “Inicialmente, e até que tenhamos melhores dados, vou reservá-los para os pacientes mais aderentes”.

Fonte: site do Aidsmap, de 15 de março de 2021.

(https://www.aidsmap.com/news/mar-2021/injectable-hiv-medications-must-be-practical-and-affordable-conference-hears)