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Modelando o impacto e a relação custo-benefício da PrEP com base no projeto de demonstração ImPrEP no Peru

Apresentado pelo ImPrEP na 28ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada virtualmente de 6 a 10 de março de 2021, o estudo “Modelando o impacto e a relação custo-benefício da PrEP com base no projeto de demonstração ImPrEP no Peru” foi conduzido por Annick Borquez, da Divisão de Doenças Infecciosas e Saúde Pública Global da Universidade da Califórnia, e outros pesquisadores*.

Embora a eficácia da PrEP entre gays/outros homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans tenha sido comprovada, um passo importante para informar sua escala nacional em países de baixa e média renda é avaliar seu impacto e eficácia em termos de custos. De 2018 a 2020, o ImPrEP inscreveu 1.954 HSH e 275 mulheres trans em clínicas de saúde sexual pública e uma ONG em seis cidades do Peru, fornecendo dados valiosos para a formulação de um modelo econômico do impacto da PrEP.

Dados do estudo ImPrEP foram utilizados para realizar uma análise de microcusto da adição de serviços de PrEP fornecidos por clínicas públicas de saúde sexual. Isso incluiu os custos contínuos de medicamentos antirretovirais, testes de laboratório, transporte e pessoal, bem como os custos iniciais relacionados a equipamentos e infraestrutura. O modelo adotado representa explicitamente a transmissão entre quatro grupos principais: HSH identificados como gays, HSH identificados como bissexuais/heterossexuais, trabalhadores do sexo masculinos e mulheres trans. Os dados ImPrEP sobre captação, retenção e adesão à PrEP foram utilizados por grupo para estimar o impacto e custo da eficácia da ampliação da profilaxia na redução da incidência de HIV entre 2022-2030.

Como resultados, o estudo demonstra que o custo de um ano de provisão de PrEP foi estimado em US$ 1.065, com um terço desses custos atribuíveis aos medicamentos antirretrovirais (US$ 75/pessoa/ano) e testes de laboratório. Dos participantes, 59% se identificaram como gays, 14% como heterossexuais/bissexuais, 14% como trabalhadores do sexo masculinos e 13% como mulheres trans. Assumindo padrões observados de captação, retenção e adesão à PrEP por grupo, entre 2022-2030o aumento da oferta de PrEP para 20% da população de HSH/mulheres trans poderia evitar 26% de novas infecções por HIV. O impacto seria maior entre as mulheres trans (46%).

O custo por DALY (disability adjusted life year) evitado seria de US$ 6.186. Isso está dentro do limite da OMS de 1 PIB/capita (US$ 6.941) e do limite específico do Peru estimado por Woods (US$ 7.747), mas acima do estimado por Ochaleck (US$ 1.300), que é mais rigoroso, pois se baseia na correlação entre mudanças nas despesas com saúde e na mortalidade/morbidade no Peru.

O trabalho conclui que a implementação da PrEP pelo Ministério da Saúde do Peru, numa cobertura viável de 20%, reduziria significativamente a incidência do HIV entre HSH e mulheres trans e seria custo efetivo em comparação com a maior parte dos limites estabelecidos. Entretanto, aumentar a retenção e adesão à profilaxia contribuiria para melhorar a eficácia.

*Autores dos trabalhos

Annick Borquez (1), Kelika Konda (2), Oliver Elorreaga (2), Ximena Gutierrez (2), Juan Guanira (3), Sonia Flores (2), Gino Calvo (2) e Carlos Cáceres (2)

(1)Division of Infectious Diseases and Global Public Health, University of California, San Diego, EUA

(2)Center for Interdisciplinary Studies in Sexuality, AIDS and Society, Universidad Peruana Cayetano Heredia, Lima, Peru

(3)INMENSA, Lima, Peru