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A “normalidade” do HIV para casais sorodiferentes

Casais sorodiferentes*, nos quais um dos parceiros vive com HIV e o outro não, são frequentemente vistos com alto risco de transmissão do vírus ou com enormes pressões psicológicas. No entanto, graças aos tratamentos atuais e à não transmissão de uma pessoa com carga viral indetectável, muitos desses casais agora podem pensar em suas vidas e relacionamentos como seguros e “normais”.

O estudo “A ‘normalidade’ de viver como um casal sorodiferente em Sydney”, conduzido em 2018, por Steven Philpot, da Universidade de New South Wales, em Sydney, Austrália, aborda a complexidade da vida para esses casais, em que o HIV é considerado insignificante no espaço seguro de casa, mas ainda representa um desafio em suas relações sociais.

Homens gays de Sydney que já haviam participado, em 2017, do estudo “Opposites Attract”, sobre casais sorodiferentes, foram convidados para uma entrevista. Vinte e um homens responderam positivamente e todos foram entrevistados. Nove participaram como indivíduos e o restante como casais, em que ambos os parceiros responderam a entrevistas separadas.

Onze homens eram HIV negativos e dez viviam com HIV, com idades que variavam de 31 a 61 anos. Um deles foi identificado como bissexual e os demais como gays. A maioria era de caucasianos, com nível de escolaridade alto: dois terços tinham diploma de nível superior ou pós-graduação.

Os relatos concordaram que, no espaço familiar, o HIV desempenha um papel mínimo, embora nunca esteja totalmente ausente. Fora de casa, os casais informaram ser mais difícil controlar como o HIV pode ser considerado, incluindo a incerteza sobre como outras pessoas, entre elas amigos e parentes, podem reagir quando informados de que um dos parceiros é soropositivo.

O estudo indicou que o HIV se transformou em “apenas” uma parte da vida dos casais, semelhante a outras preocupações de saúde. “Não quero fazer do HIV um tópico, como um item da nossa agenda. Ele existe e tem que ser resolvido da melhor forma possível. Eu sei disso e me companheiro sabe também. Fazemos o que tem que ser feito e seguimos em frente. Hoje, o HIV é apenas uma parte da nossa vida”, afirmou um dos participantes.

Fonte: site do Aidsmap, de 21 de setembro

(https://www.aidsmap.com/news/sep-2020/how-normal-has-hiv-really-become-serodifferent-gay-couples)

*Por soar menos estigmatizante e, em consonância com grande parte do movimento de pessoas vivendo com HIV, adotamos a expressão sorodiferentes em vez de sorodiscordantes.