Outros temas

Estudo mostra que 1/3 das pessoas que vivem com HIV não discute sobre I = I com profissionais de saúde

Dados de uma pesquisa internacional, realizada durante 2019, com pessoas que vivem com HIV em países de alta e média renda de todos os continentes mostram que um terço delas não abordou o tema “Indetectável = Intransmissível (I = I)” com um profissional de saúde.  “A informação sobre I = I foi significativamente associada a resultados de saúde favoráveis, como melhor adesão e sentir-se confortável em compartilhar seu status de HIV”, relataram Chinyere Okoly, da farmacêutica ViiV Healthcare, do Reino Unido, e sua equipe na publicação on-line Sexually Transmitted Infections, de julho de 2020.

“Discutir I = I em ambientes clínicos é vital porque os pacientes percebem as informações que ouvem diretamente de seus profissionais de saúde como sendo mais verossímeis”, analisam os pesquisadores. “Como os médicos são provavelmente os primeiros a quem uma pessoa recém-diagnosticada recorrerá para obter conselhos sobre sua nova situação, é essencial avaliar até que ponto os profissionais de saúde compartilham informações sobre I = I com seus pacientes”, complementam.

Um total de 2.389 pessoas vivendo com HIV e tomando medicamentos antirretrovirais participou da pesquisa, patrocinada pela ViiV Healthcare. Foram recrutados principalmente indivíduos de grupos comunitários de HIV (58%), pessoas que já haviam participado de pesquisas de mercado (26%) e outras que mantiveram contato com escritórios locais da ViiV (8,5%). A amostragem foi desenhada de forma a atingir três grupos significativos: mulheres (29%), indivíduos com mais de 50 anos (29%) e pessoas diagnosticadas nos dois anos anteriores (23%).

A pesquisa foi realizada em 25 países da Europa (47% dos entrevistados), na América do Norte (22%), Ásia (9,6%), América Latina (9,3%), África do Sul (7,5%) e Austrália (5%). A maioria dos participantes estava na casa dos 30 ou 40 anos e 3/4 tinham escolaridade acima do ensino médio.

Dois terços dos participantes relataram que seus profissionais de saúde haviam falado sobre I = I. Outros 21,1% sabiam que a medicação para o HIV impede de transmitir o vírus para outras pessoas, mas aprenderam isso de outras fontes. Pouco mais de 12% dos entrevistados desconheciam completamente o I = I.

Pessoas com ensino médio pareceram mais propensas a discutir o I = I com um profissional de saúde (73%) do que aquelas com ensino superior (63%). Homens gays e bissexuais eram mais propensos a falar sobre I = I (71%) do que homens heterossexuais (58%) ou mulheres (65%). Pessoas que tiveram parceiros sexuais casuais recentes estavam mais conscientes (75%) do que os que não tiveram.

Em quatro países asiáticos (China, Japão, Coréia do Sul e Taiwan), apenas 51% das pessoas debateram sobre I = I com o profissional de saúde. Da mesma forma, na América Latina (Argentina, Brasil, Chile e México), apenas 61% tiveram essa discussão. Os países com melhores pontuações foram a Suíça (87%), Áustria (84%) e Austrália (80%).

Fonte: site do Aidsmap, de 9 de setembro.

(https://www.aidsmap.com/news/sep-2020/third-people-living-hiv-have-not-discussed-uu-their-healthcare-provider)