2020 Notícias Outros temas

Droga injetável de ação prolongada pode ajudar a prevenir e tratar o HIV

Em 2019, cerca de 1,7 milhão de pessoas em todo o mundo foram infectadas pelo HIV, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, e mais de 38 milhões vivem atualmente com o vírus. A terapia antirretroviral combinada, o chamado “coquetel de drogas”, melhorou drasticamente a sobrevida e a qualidade de vida desses pacientes, mas é cara, tem efeitos colaterais que podem ser graves e exige que o paciente tome comprimidos diariamente. Além disso, como o HIV sofre mutações frequentes, a resistência ao medicamento é um desafio constante.

Cientistas da Universidade de Utah, em parceria com pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), de Boston, desenvolveram uma droga injetável que bloqueia a entrada do HIV nas células. Os pesquisadores afirmam que a nova substância oferece uma proteção potencialmente duradora contra a infecção, com menos efeitos colaterais. A substância, testada em primatas, poderia eventualmente substituir componentes de terapias combinadas usados para prevenir ou tratar o HIV.

“A droga tem um grande potencial para ajudar os pacientes que sofrem de resistência aos medicamentos, bem como aqueles que se beneficiaram de um coquetel de drogas anti-HIV injetável de longa duração”, explica Michael S. Kay, autor sênior do estudo e professor de bioquímica da Universidade de Utah.

Nesse novo estudo, os pesquisadores testaram uma nova droga única chamada CTP31, baseada em um D-peptídeo que tem como alvo um bolsão crítico da máquina de fusão do HIV, que raramente sofre mutação. Como o CTP 31 e outros D-peptídeos não são degradados no corpo, duram muito mais que os peptídeos naturais e são especialmente adequados para uma formulação injetável de longa ação.

Para ver se o CTP31 prevenia a infecção pelo HIV, Kay e sua equipe injetaram a droga em macacos saudáveis, iniciando o processo vários dias antes da exposição a uma forma híbrida símio-humana do HIV chamada SHIV. Os macacos foram completamente protegidos dessa alta exposição ao SHIV e não desenvolveram sinais de infecção. Em seguida, os cientistas identificaram a dose mínima de CTP31 necessária para conferir proteção completa, informação que ajudará a formular ensaios clínicos.

“Achamos que essa substância poderá ser usada sozinha para prevenir a infecção pelo HIV, porque a exposição inicial geralmente envolve uma quantidade relativamente pequena de vírus”, diz Kay. O pesquisador afirma também que a maioria das cepas de HIV em circulação pelo mundo é bloqueada pela CTP31.

Fonte: site do Medicalxpress, de 21 de agosto.

(https://medicalxpress.com/news/2020-08-long-acting-drug-efforts-hiv.html)