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IMPREP PARTICIPA DE SESSÃO DA OPAS SOBRE PREP

Mediante solicitação de colegas do Colectivo Amigos Contra el Sida (CAS), da Guatemala, organização comunitária que recentemente ampliou uma iniciativa de PrEP apoiada pelo Fundo Global, a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) realizou uma sessão virtual, em 19 de fevereiro passado, para compartilhar experiências sobre a adesão e a continuidade no uso da PrEP.

O objetivo foi facilitar um intercâmbio sobre as estratégias para apoiar os usuários de PrEP naquele país a melhorar a adesão e minimizar a interrupção em pessoas que permanecem em risco substancial. Para isso, a OPAS convidou o projeto ImPrEP, com atuação no Brasil, México e Peru, e o Callen Lorde, de Nova York, para relatar suas experiências, abrindo, em seguida para debates.

Pelo ImPrEP, falaram os especialistas mexicanos Hamid Vega (pesquisador principal naquele país), Heleen Vermandere e Araczy Davalos, que expuseram os perfis dos usuários e dados locais do projeto. Entre eles, a boa capacidade de retenção dos usuários de PrEP, com perda em torno de 10%, e a boa adesão quanto à ingestão dos comprimidos diários.

Cerca de 40 pessoas, entre representantes de programas e da sociedade civil, profissionais de saúde e pesquisadores ativamente envolvidos no planejamento ou implementação de projetos demonstrativos de PrEP, da Guatemala, Colômbia, Paraguai, Equador, entre outros países, participaram da sessão. Entre os assuntos abordados, destaque para os seguintes pontos:

– A implementação efetiva da PrEP requer o desenvolvimento de estratégias de informação, educação, comunicação e motivação, devendo ser desenvolvidas com a participação da sociedade civil. A comunidade deseja PrEP, mas para melhorar a adesão e a continuidade no uso é importante aprimorar as informações, promover o uso adequado, seja a dosagem diária ou sob demanda, e a motivação do usuário.

– As estratégias de informação, educação e comunicação (IEC) da PrEP incluem o uso de redes sociais, inclusive para gerar demanda, bem como a colaboração com organizações da sociedade civil para atividades de mobilização comunitária extensão extramural, IEC e aconselhamento sobre adesão e motivação.

– Para ser eficaz, a PrEP não exige o mesmo nível de adesão que o tratamento antirretroviral (até quatro doses diárias por semana são suficientes para garantir a sua eficácia; a PrEP sob demanda tem eficácia comprovada em gays/outros homens que fazem sexo com homens (HSHs), assim como a dosagem diária e níveis de adesão equivalentes. A dosagem sob demanda para HSHs já é recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

– A PrEP é oferecida como parte de um pacote abrangente de serviços de prevenção combinada, como distribuição de preservativos e lubrificantes, triagem e gerenciamento de infecções sexualmente transmissíveis, intervenções de gerenciamento e redução de risco, testagem e aconselhamento para HIV e profilaxia pós-exposição (PEP). A PEP pode ser uma “porta de entrada” para a oferta de PrEP.

– Em alguns lugares, foram observados melhores resultados de adesão e retenção em especial quando o serviço prestado é mais abrangente para o usuário (por exemplo, a PrEP no contexto da atenção primária).

– Para melhorar a motivação e minimizar a interrupção precoce da PrEP em alguns locais, deve ser feito contato com o usuário pela equipe de saúde após duas semanas para perguntar sobre efeitos adversos, adesão, esclarecimento de dúvidas, visando promover motivação.

– É importante manter o apoio ao usuário, em especial simplificando o acompanhamento no sentido de centrá-lo na pessoa.

– A interrupção da PrEP não é necessariamente um “abandono” e pode depender de alterações no perfil de exposição a riscos ou preferências em relação a outras medidas de prevenção combinada. É preciso entender e agir sobre os motivos da descontinuidade em PrEP, com ênfase nas pessoas que mantêm um perfil de risco de transmissão e elegibilidade para a profilaxia.

– Embora várias investigações em andamento estejam analisando fatores de risco para a interrupção da PrEP relacionadas ao usuário, é fundamental considerar que os motivos da descontinuidade também e, acima de tudo, dependem do modelo e da qualidade na prestação do serviço, dos custos diretos e indiretos associados, da atitude das equipes de saúde etc.

Como conclusões do encontro virtual, a sugestão de que as perspectivas dos usuários ou usuários em potencial (por exemplo, via grupos focais, entrevistas ou pesquisas de satisfação, etc.) sejam levadas em consideração para melhorar os serviços, sua qualidade e desempenho, assim como manter sessões de intercâmbio envolvendo representantes de usuários de PrEP para ouvir suas perspectivas.

Os conteúdos da sessão virtual podem ser ouvidos em https://paho.webex.com/webappng/sites/paho/recording/play/cceb5f534ab54803a78aa85dd62a8012

Crédito da foto: Gerd Altmann/Pixabay