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IMPREP OUVE AS PARTES INTERESSADAS EM PREP

Confira entrevista com Cristina Pimenta, coordenadora do ImPrEP, sobre o subestudo do projeto “Avaliação qualitativa da implementação da PrEP no Brasil: ImPrEP stakeholders”, que buscou obter, junto aos atores-chave estratégicos ligados à profilaxia, informações sobre facilitadores e barreiras para sua implementação em um contexto de programas de saúde pública.

Qual o principal objetivo do estudo?

A PrEP tornou-se disponível no Brasil em 2018 para populações com risco substancial de infecção pelo HIV como uma ferramenta adicional de prevenção sob uma estratégia de prevenção combinada. No entanto, ainda há escassa evidência qualitativa em torno da sua implementação de forma global. Esse estudo buscou obter, junto aos atores-chave estratégicos ligados à PrEP, informações sobre facilitadores e barreiras para sua implementação em um contexto de programas de saúde pública.  

Qual a metodologia adotada e quem foi ouvido?

No estudo, baseado em entrevistas estruturadas realizadas face a face em cinco estados que implementam o ImPrEP (Rio de Janeiro,  Amazonas, Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul) e no Distrito Federal, foram coletadas visões, percepções e experiências sobre a incorporação de serviços de PrEP. O trabalho buscou extrair, por meio de 64 entrevistas, significados, percepções e preocupações acerca da política de PrEP, suas concepções e experiências junto a 15 gestores, 14 profissionais de saúde, 7 líderes da comunidade HSH (homens que fazem sexo com homens), 7 da população trans, uma pessoa vivendo com HIV, além de 20 usuários de PrEP, todos tratados como interlocutores da implementação da estratégia de prevenção.

Há conhecimento real sobre a PrEP junto a esses públicos?

Todos os gestores de serviços de saúde, profissionais de saúde, líderes comunitários e usuários de PrEP entrevistados expressaram conhecimento prévio da profilaxia. Um dos principais obstáculos citados pela maioria das populações mais vulneráveis foi o estigma relacionado tanto com o HIV quanto com às praticas sexuais e o receio de sofrer discriminação ao acessar os serviços de PrEP. Prestadores de serviços e líderes comunitários destacaram que as pessoas trans são as que menos frequentam os serviços de PrEP. 

Como analisam a PrEP como estratégia de prevenção combinada ao HIV?

 Encontramos um consenso narrativo que combina a prevenção do HIV, incluindo a PrEP, como um avanço na política de saúde pública brasileira. Um aspecto positivo enfatizado pelos profissionais de saúde e gerentes de serviços foi que a PrEP coloca a prevenção do HIV sob controle do indivíduo.

Qual a principal conclusão do estudo?

 Os resultados indicam que a expansão em maior escala da PrEP no âmbito de políticas de saúde pública,em contextos nacionais, requer respostas a necessidades culturalmente específicas no atendimento aos usuários a serem abordadas com muita atenção.