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Grupo de reflexão com a população Trans discute estratégias do projeto ImPrEP

Texto escrito por
Leonardo Linconl (Ascom | ImPrEP)*

Mobilização comunitária e estratégias de comunicação para divulgar a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para população de mulheres travestis e mulheres trans, estas foram as pautas principais do encontro promovido pelo ImPrEP, no Rio de Janeiro, na sede da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec), no último dia 18 de abril. O Projeto reuniu representantes de diversas organizações e regiões do país para refletir sobre estas questões, e também discutiu o questionário que será aplicado na população Trans nas 12 cidades onde o projeto está em implantação.

 

PrEP e educação entre pares

 

O encontro teve como ponto de partida uma roda de conversa sobre os conhecimentos dasparticipantes da reunião sobre a PrEP. O grupo demonstrou estar bem informado sobre o uso, eficiência e resultados da estratégia, e relatou ter recebido as informações através dos projetos PrEP Brasil e PrEParadas. Em seguida, asparticipantes relataram que a maioria das mulheres travestis e mulheres transnão conhecem a PrEP, ou quando reconhecem o nome desconfiam de sua existência ou eficiência, informando ainda que algumas delas consideram que são “fantoches” para os pesquisadores nesses projetos. Um consenso entre as participantesé que, principalmente entre as profissionais do sexo, existe um desinteresse pela profilaxia devido à crença de que já estão infectadas.

 

O alto grau de desconfiança descrito deixou claro  que as mulheres trans ou usuárias da medicação são agentes chave na disseminação de informação para essas populações. Portanto, investir na estratégia de educação entre pares, estimulando os contatos através de multiplicadoras de informação entre as mulheres travestis e mulheres Trans, principalmente quando se trata de profissionais do sexo, é essencial. A abordagem por parte de semelhantes, inclusive no que diz respeito a idade e práticas, facilitará a criação de vínculos de confiança.

 

Redes sociais e aplicativos

 

O grupo indicou o Facebook e o WhatsApp como as ferramentas de comunicação mais utilizadas, advertindo que os “textões” devem ser evitados. Além disso, foi enfatizado que mesmo nas redes sociais, os grupos possuem recortes e interesses específicos e é necessário respeitar essa pluralidade, principalmente no que diz respeito à “passabilidade”. No que se refere ao uso de hormônios, por exemplo, não raro o ponto de partida é uma pesquisa superficial nas redes sociais quando o acesso às mesmas é possível.

 

Uma nova proposta para colocar a PrEP mais em evidência, disseminando informações e tornando a Truvada mais familiar, seria divulgar a imagem do comprimido através de personagens trans sexys e influentes nas  mídias sociais, usando o YouTube, por exemplo. Neste caso, seriam utilizados canais que já existem e são acessados por esse grupo, tais como: Mandy Candy, Põe na Roda, Chitara de la Costa e o Divagina Show.

 

Outra questão bastante discutida foi a falta de preparo dos profissionais dos Postos de Saúde da Família (PSF), o que resulta, muitas vezes, no trato preconceituoso e/ou situações constrangedoras, sendo a mais comum a recusa de utilizar os nomes sociais. Para o grupo, disseminar o uso do nome social, uma reivindicação antiga no SUS, teria um impacto muito importante no acolhimento e, em consequência, no incentivo aos cuidados com a saúde.

 

Avaliação do Questionário

 

Apesar de ter avaliado positivamente o questionário eletrônico preparado pelo Projeto ImPrEP, o grupo sinalizou que alguns grupos de mulheres trans ficariamà margem da pesquisa devido a dificuldades em acessar os meios eletrônicos, especialmente a população  de mulheres transem situação de maior vulnerabilidade. As participantesindicaram que o celular seria o veículo mais eficiente para atingir uma camada maior dessa população, pois através dele o link de acesso ao questionário poderia ser distribuído, inclusive através de grupos em redes sociais como o Facebook e aplicativos como o WhatsApp. Outro ponto destacado foi que, no geral, há boa disposição em responder questionários online, desde que a linguagem seja simples e objetiva.

*Com a colaboração de Juana Portugal (INI / FIOCRUZ), Marcos Benedetti (ImPrEP) e Luciana Kamel (INI/FIOCRUZ)
Créditos Imagens: Gustavo Amaral (Fiotec)