Intervenção leva cuidados com HIV a imigrantes venezuelanos na Colômbia
A crise política, social e humanitária vivida na Venezuela levou milhões de pessoas à imigração, interrompendo o acesso a serviços básicos de saúde, incluindo prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV.
Estudo conduzido por José Rafael Cañizares, da Universidade Monserrate, em Bogotá, na Colômbia, e outros pesquisadores, avaliou a eficácia de uma intervenção comunitária que oferecia serviços de HIV, além de apoio psicossocial e jurídico, para imigrantes venezuelanos no país. O ensaio foi apresentado na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.
A Corporación Red Somos, organização da sociedade civil colombiana, implementou, de janeiro de 2024 a dezembro de 2025, uma intervenção que disponibilizava testagem para o HIV, notificação/testagem para o parceiro sexual e assistência psicossocial e jurídica para imigrantes venezuelanos que viviam em comunidades nas cidades de Bogotá, Barranquilla e Soacha.
Um total de 7.631 imigrantes realizaram testes de HIV, dos quais 503 foram diagnosticados com o vírus, com taxa de positividade de 6,6%. A notificação assistida dos parceiros foi considerada altamente exitosa: ocorreram 508 testes adicionais, que geraram 130 novos diagnósticos de HIV. Dessa vez, a taxa de positividade foi de 25,6%.
No geral, 96% dos participantes que viviam com o vírus iniciaram a terapia antirretroviral (TARV). Desses, 93,8% apresentaram supressão viral ao final do período de acompanhamento. Os grupos de apoio psicossocial abordaram o estigma, o sofrimento emocional e o luto imigratório, ajudando a elevar a adesão à TARV. Estima-se que, após o recebimento de assistência jurídica, 80% conseguiram o status de imigrantes legais no país e acabaram inscritos no sistema nacional de saúde.
Para os autores, esse modelo comunitário, baseados em direitos, resultou em detecção precoce do HIV, em uma alta taxa de adesão à TARV e na continuidade dos cuidados entre os imigrantes venezuelanos na Colômbia. Afirmam que essa intervenção, com adaptações pontuais, pode ser aplicada com sucesso em outros países da região que também recebem um grande fluxo migratório proveniente da Venezuela.
Fonte: site da AIDS, de 29 de julho de 2026.
(https://programme.aids2026.org/Abstract/Abstract/?abstractid=6455)



