2026 Estudos ImPrEP

AIDS 2026: Impacto da Doxi-PEP nos diagnósticos de IST e na utilização de antibióticos entre HSH e mulheres trans usuários de PrEP no Brasil – um estudo de modelagem (apresentação oral)

No Brasil, as taxas de sífilis são preocupantes e testes moleculares para clamídia e gonorreia foram recentemente incorporados ao sistema público de saúde. A Doxi-PEP é uma estratégia comprovada de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis (IST) bacterianas e provavelmente também será incorporada em breve pelo Ministério da Saúde brasileiro.

Utilizando dados do estudo ImPrEP, análise conduzida por Mayara Secco, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI-Fiocruz), no Rio de Janeiro, e demais pesquisadores*, estimou o número de diagnósticos de IST que poderiam ser evitados sob diferentes cenários de prescrição de Doxi-PEP e o impacto correspondente no consumo de antibióticos, entre pessoas em uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV, no Brasil. O ensaio foi exposto, em forma de apresentação oral, na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.

O estudo ImPrEP (2018-2021) demonstrou a eficácia da PrEP oral diária, com início no mesmo dia da consulta, no Brasil, México e Peru, recrutando gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero. Todos eram maiores de 18 anos, HIV negativos e relataram a prática de sexo anal sem preservativo, contatos com parceiros sexuais vivendo com o vírus, diagnóstico de alguma IST ou sexo transacional.

Nesse subestudo, foram incluídos participantes do Brasil com resultados de pelo menos duas testagens para IST. Utilizando dados nacionais de incidência de sífilis, clamídia e gonorreia, estimou-se o uso da Doxi-PEP, os diagnósticos de IST evitados e a redução do consumo mensal de antibióticos em três cenários contrafactuais (hipotéticos): início da Doxi-PEP na visita inicial (Cenário 1 – C1), início após qualquer teste positivo para IST (Cenário – C2) e início se o resultado para IST na visita inicial fosse positivo (Cenário 3 – C3).

Entre os 3.447 voluntários incluídos na análise, 100% receberam o medicamento no Cenário 1, 42,7% no Cenário 2 e 23,6% no Cenário 3. As porcentagens estimadas de IST evitadas foram de 79,4% no C1, de 43,9% no C2 e de 28,6% no C3. Quando comparado com o C1, o consumo mensal de antibióticos foi reduzido em 58% no Cenário 2 e em 77% no Cenário 3.

Os autores classificam a Doxi-PEP como uma estratégia promissora para a prevenção de IST bacterianas, sugerindo que a prescrição direcionada pode otimizar a sua eficácia e minimizar o consumo mensal de antibióticos. Eles destacam que os resultados dessa análise são suficientes para embasar estratégias de implementação do medicamento no Brasil e em outros países da América Latina.

*Autores:

Mayara Secco (1), Ronaldo Moreira (1), Iuri Leite (1), Marcelo Cunha (2), Marcos Benedetti (1), Alessandro Farias (3), Thiago Torres (1), Carolina Coutinho (1), Brenda Hoagland (1), Valdiléa Veloso (1) e Beatriz Grinsztejn (1)

 

1 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

2 – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.

3 – Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, Salvador, Brasil.