2026 Estudos ImPrEP

AIDS 2026: LGBTQI+fobia internalizada e depressão ao longo da cascata de prevenção e tratamento do HIV entre pessoas com diversidade sexual e de gênero no Brasil, México e Peru (pôster)

Pessoas com diversidade sexual e de gênero da América Latina apresentam maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV, à depressão e à LGBTQI+fobia internalizada. A saúde mental comprometida pode levar a uma baixa adesão à prevenção do vírus ou, para os que já vivem com HIV, a uma retenção insuficiente ao tratamento, resultando em cargas virais detectáveis.

O objetivo do estudo conduzido por Hamid Vega-Ramirez, do Instituto Nacional de Psiquiatria Ramon de la Fuente Muñiz, na Cidade do México, e outros colaboradores*, foi avaliar a associação entre depressão, LGBTQI+fobia internalizada e desfechos da cascata de prevenção e tratamento da infecção pelo HIV entre pessoas com diversidade sexual e de gênero do Brasil, México e Peru. análise foi apresentada, em forma de pôster, na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.

Durante o ano de 2024, os investigadores conduziram um estudo transversal on-line com pessoas maiores de 18 anos. Foram coletados dados sobre características sociodemográficas, comportamento sexual, uso de substâncias, prevenção ao HIV, tratamento antirretroviral, depressão e LGBTQI+fobia internalizada. Os desfechos de interesse eram a realização do último teste de HIV, disposição para usar profilaxia pré-exposição (PrEP), utilização e adesão à PrEP e, entre as pessoas que viviam com o vírus, a carga viral indetectável.

Dos 14.286 participantes incluídos (67,4% do Brasil, 22,6% do México e 10% do Peru), 15,9% (3.552) viviam com HIV. A maioria (94,6%) era composta por homens cisgênero, enquanto 5,4% se identificavam como pessoas transgênero ou não-binárias. No total, 44,5% eram brancos, 40% pardos e 77% possuíam, pelo menos, o ensino médio completo. A mediada de idade da amostra foi de 39,1 anos.

Pontuações elevadas de LGBTQI+fobia internalizada aumentaram as chances do registro de cargas virais detectáveis entre aqueles que viviam com HIV. A depressão foi associada a uma maior probabilidade de interrupção do uso da PrEP ou de uma baixa adesão à profilaxia, no caso dos HIV negativos, além da não realização de testes recentes para o monitoramento da carga viral, entre os participantes que possuíam um diagnóstico positivo para o vírus.

Segundo os autores, a LGBTQI+fobia internalizada é um determinante crítico e generalizado para a cascata de prevenção e tratamento da infecção pelo HIV, enquanto a depressão pode prejudicar a retenção na PrEP e a adesão ao monitoramento regular da carga viral entre pessoas que vivem com o vírus. Afirmam que, para alcançar resultados equitativos em relação ao HIV, os sistemas de saúde pública devem integrar intervenções de redução do estigma e o apoio à saúde mental para populações com diversidade sexual e de gênero da América Latina.

*Autores:

Hamid Vega-Ramirez (1), Kelika Konda (2)(3), Thiago Torres (4), Rebeca Robles-Garcia (1), Oliver Elorreaga (2), Brenda Hoagland (4), Carolina Coutinho (4), Marcos Benedetti (4), Cristina Pimenta (4), Beatriz Grinsztejn (4), Carlos Cáceres (2), Valdiléa Veloso (4), e Grupo de Estudos ImPrEP

1 – Instituto Nacional de Psiquiatria Ramon de la Fuente Muñiz, Cidade do México, México

2 – Universidade Peruana Cayetano Heredia, Lima, Peru

3 – Escola de Medicina USC Keck, Los Angeles, Estados Unidos

4 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil.