Engajamento liderado por pares no estudo de implementação de PrEP com CAB-LA no Brasil
O ImPrEP CAB Brasil foi um estudo de implementação da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV, na modalidade injetável de longa duração, baseada no cabotegravir (CAB-LA), em serviços públicos de PrEP de seis cidades brasileiras (Campinas, Florianópolis, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Os participantes tinham de 18 a 30 anos e pertenciam a minorias sexuais e de gênero.
Conduzida por Luciana Kamel, do Instituto Nacional de Infectologia, da Fiocruz-RJ, e demais pesquisadores*, análise avaliou o engajamento comunitário no estudo, por meio de práticas que moldaram a forma como o CAB-LA foi introduzido e discutido em contextos comunitários e nos serviços de saúde. O ensaio foi apresentado, em forma de pôster, na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.
A equipe do estudo combinou estratégias presenciais e digitais para apoiar a participação, a troca de informações e a vinculação aos serviços de saúde. O objetivo era promover ambientes de atendimento acolhedores e não discriminatórios. As atividades de engajamento comunitário foram estruturadas em três eixos interconectados: mobilização comunitária e disseminação de informações; vinculação dos participantes aos serviços de saúde; e criação de ambientes de atendimento acolhedores.
No ano de 2024, foram registradas 317 atividades presenciais e 2.764 ações digitais, alcançando um total de 92.970 pessoas. Em 2025, essas atividades foram ampliadas: registraram-se 3.501 ações presenciais e 27.285 atividades digitais, que alcançaram 113.405 pessoas. O engajamento nessas atividades foi conduzido por educadores de pares da comunidade.
As ações presenciais ocorreram em locais como rodas de conversa, bares, festas, saunas e eventos LGBTQIA+. Em 2024, as rodas de conversa representaram 16,3% das atividades presenciais, seguidas por festas (13,9%), bares, saunas e paradas do orgulho (11,6% cada). No ano de 2025, a distribuição manteve-se semelhante: rodas de conversa representaram 16,3% das ações, seguidas por festas, bares, saunas e paradas (11,4% cada), além de outros eventos coletivos (9,1%).
Atividades digitais ocorreram via Instagram (42,9% em 2024 e 38,5% em 2025) e WhatsApp (28,3% em 2024 e 30,8% em 2025). Os aplicativos de relacionamento e o Facebook representaram 15% e 14% das ações nos dois anos, respectivamente.
Os autores destacam a importância de abordagens flexíveis, informadas e conduzidas pela comunidade, em programas de prevenção do HIV. Eles afirmam que os próximos passos incluem análises qualitativas para examinar como essas práticas são percebidas e vivenciadas pelos membros da comunidade, garantindo que as intervenções permaneçam relevantes.
*Autores:
Luciana Kamel (1), Julio Moreira (1), Tony Araújo (1), Laylla Monteiro (1), Josias Freitas (1), Daniel Bezerra (1), Paola Alves (2), Vinicius Francisco (2), Gabriel Mota (3), Maya Alvarenga (3), Oliê Cardenas (4), Ranna Danielle (5), Uiliane de Jesus (5), Erika Faustino (6), Marcelo Siqueira (6), Jacinto Corrêa (1), Roberta Trefiglio (2), Carolina Coutinho (1), Marcos Benedetti (1), Thiago Torres (1), Cristina Pimenta (1), Valdiléa Veloso (1), Beatriz Grinsztejn (1) e Keila Simpson (1)
1 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil
2 – Centro de Referência e Treinamento em IST/Aids, São Paulo, Brasil
3 – Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado, Manaus, Brasil
4 – Centro de Testagem e Aconselhamento/Policlínica Centro, Florianópolis, Brasil
5 – Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa, Salvador, Brasil
6 – Centro de Referência em IST/Aids, Campinas, Brasil.



