IMPREP LEN BRASIL APRESENTA RESULTADOS PRELIMINARES NA AIDS 2026
O ImPrEP LEN Brasil apresentou resultados preliminares sobre o estudo nesta terça-feira (28/7/2026) durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), que ocorre no Rio de Janeiro. Esses resultados mostram que 97% dos participantes elegíveis escolheram iniciar a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV com lenacapavir (LEN), medicamento injetável de longa duração administrado apenas duas vezes ao ano, em vez da modalidade oral diária, já oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
O estudo, coordenado pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), é a primeira iniciativa de implementação do LEN na América Latina e tem como um dos seus objetivos gerar evidências científicas visando uma futura incorporação do medicamento pelo SUS entre suas alternativas de prevenção combinada.
Entre 695 pessoas avaliadas de 3 de fevereiro a 15 de julho deste ano, 668 preencheram os critérios de inclusão no estudo. Destas, 651 optaram pelo LEN, enquanto apenas 17 escolheram permanecer com a PrEP oral (taxa de adesão de 97% ao medicamento injetável).
Outro resultado preliminar aponta que dos 651 participantes que escolheram a modalidade injetável semestral, 510 pessoas (78,3%) nunca haviam utilizado nenhuma modalidade de PrEP. Isso sugere que a versão injetável pode atingir um público que, por diferentes razões, se mantém distante das estratégias tradicionais de prevenção.
Análises anteriores já realizadas mostram que fatores como o estigma associado ao HIV, a dificuldade de manter o uso diário da medicação, a rotina de trabalho, o medo de exposição e as barreiras de acesso aos serviços de saúde frequentemente comprometem a adesão à PrEP oral.
Outro resultado importante: entre aqueles que iniciaram o LEN, 83,1% são homens cisgênero, 11,2% travestis e mulheres transgênero, 3,7% pessoas não-binárias e 2% homens trans. A pesquisa mostra forte participação da população jovem (41,1%) tem entre 18 e 24 anos, enquanto os demais concentram-se entre 25 e 30 anos), alcançando, assim, diversos públicos prioritários no enfrentamento do HIV no Brasil. Além disso, 60,7% se autodeclaram pretos ou pardos, 1,7% indígenas, com 41,3% de todos os participantes possuindo ensino médio completo ou menor escolaridade.
Sobre o ImPrEP LEN Brasil
O estudo acontece em nove serviços distribuídos por seis cidades brasileiras (Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Salvador e Manaus), incluindo uma unidade móvel criada para ampliar o acesso em territórios estratégicos, em São Paulo.
Podem participar homens cis, pessoas trans e pessoas não-binárias que fazem sexo com homens, com idade entre 16 e 30 anos e resultado negativo para HIV. A meta é incluir 1.500 usuários utilizando o LEN. Os participantes escolhem entre iniciar a PrEP oral ou o LEN, sendo que há acompanhamento por pelo menos 18 meses entre aqueles que optam pelo medicamento injetável. O ImPrEP LEN Brasil também utiliza ferramentas digitais, para facilitar a escolha entre as modalidades de PrEP oferecidas e fortalecer o cuidado, bem como mensagens via WhatsApp para lembrar consultas, doses iniciais e datas das aplicações semestrais.
Os pesquisadores destacam que os resultados apresentados na AIDS 2026 são preliminares, mas já oferecem evidências importantes sobre a aceitação da nova tecnologia entre pessoas jovens e populações mais vulneráveis. A expectativa é que o acompanhamento dos participantes gere informações fundamentais sobre persistência, retenção no cuidado, segurança e efetividade da estratégia, contribuindo para orientar futuras decisões do Ministério da Saúde sobre a incorporação do LEN ao SUS.
Fontes: O Globo e Agência Aids



