Tempo de recidiva do HIV após a infusão de anticorpos amplamente neutralizantes
Infusões de anticorpos amplamente neutralizantes específicos para o HIV são capazes de manter o controle viral por um longo período de tempo, mesmo após a interrupção da terapia antirretroviral (TARV).
Publicado em 27 de maio de 2026, na revista The Lancet HIV, estudo avaliou a segurança e a eficácia desses anticorpos amplamente neutralizantes entre pacientes residentes no Reino Unido. A análise foi conduzida por Ming Lee, do Imperial College, em Londres, no Reino Unido, e outros pesquisadores.
Foram considerados elegíveis para o estudo, realizado de maio de 2021 a junho de 2024, pessoas maiores de 18 anos, que estivessem em tratamento para o HIV desde o estágio inicial da infecção e registrassem supressão viral no momento da inclusão.
Os participantes acabaram divididos em dois grupos: A) aqueles que receberam infusões intravenosas de dois anticorpos amplamente neutralizantes de longa duração antes de interromper a TARV; e B) os que receberam placebo (uma solução salina) antes de descontinuar o tratamento do vírus. O desfecho esperado pelos investigadores era o tempo levado até a recidiva viral (carga viral acima de 1.000 cópias/ml) após a interrupção da TARV.
No total, 34 voluntários foram alocados em cada um dos grupos. Na 20ª semana de acompanhamento, a recidiva viral ocorreu em oito pessoas do grupo A e em 30 pacientes do grupo B. Os participantes do grupo A apresentaram uma probabilidade de recidiva viral 91% menor quando comparados com os do grupo B.
Durante o estudo, registraram-se 19 casos de eventos adversos leves relacionados ao tratamento no grupo A e 41 no grupo B. As reações mais relatadas foram fadiga, letargia e sonolência. Nenhum dos nove eventos adversos graves encontrados teve relação comprovada com os anticorpos amplamente neutralizantes.
De acordo com os autores, os anticorpos amplamente neutralizantes de longa duração se mostraram seguros e eficazes, proporcionando um controle viral prolongado na maioria dos pacientes britânicos. Eles afirmam que essas descobertas podem representar um passo importante para o alcance da remissão do vírus sem a necessidade de medicamentos antirretrovirais.
Fonte: site da The Lancet HIV, de 27 de maio de 2026.
(https://www.thelancet.com/journals/lanhiv/article/PIIS2352-3018(26)00059-7/fulltext)



