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Disparidades entre homens gays e bissexuais na prevenção biomédica do HIV

Pesquisas sobre prevenção do HIV entre homens de minorias sexuais costumam reunir gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens em uma mesma categoria. Ao fazer isso, embora se reconheçam características comuns entre esses grupos, tal abordagem desconsidera diferenças importantes. Diante dessa lacuna, Qidi Zhou, da Escola de Psicologia da Universidade de Southampton, Reino Unido, e colaboradores realizaram uma revisão sistemática e metanálise publicada na edição de junho de 2026 do periódico Journal of the International AIDS Society.

O estudo comparou homens gays e bissexuais quanto ao conhecimento, à disposição para utilizar e ao uso efetivo de estratégias biomédicas de prevenção do HIV, como as profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP). Reunindo 114 artigos publicados de janeiro de 2012 a fevereiro de 2024 com dados separados sobre homens gays e bissexuais, a pesquisa incluiu 514.543 participantes – 420.539 homens gays (81,7%) e 94.004 homens bissexuais (18,3%).

Os resultados apontaram disparidades significativas entre os grupos. O conhecimento sobre PrEP foi estimado em 61,4% entre homens gays e em 42,9% entre bissexuais, com uma probabilidade 2,28 vezes maior entre os primeiros de conhecer a profilaxia.

Além disso, diferenças também apareceram no uso da PrEP: 22,5% dos homens gays e 15,2% dos bissexuais relataram algum uso dessa estratégia de prevenção. Entre as pessoas vivendo com HIV, a prevalência de supressão viral foi de 76,3% entre homens gays e de 69,3% entre bissexuais. Quanto à PEP, o número reduzido de estudos com dados separados para homens gays e bissexuais não permitiu uma comparação estatística entre os grupos.

Interpretando os dados, os autores pontuam que a menor utilização da PrEP entre homens bissexuais não decorre necessariamente de menor interesse, mas de múltiplas barreiras, como a de acesso à informação, aos serviços de saúde e às redes comunitárias. Os autores sugerem que campanhas e serviços formalmente direcionados a homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens podem, na prática, circular principalmente em espaços e redes comunitárias gays, alcançando menos os bissexuais.

Desse modo, o estudo evidencia que reunir diferentes grupos de homens de minorias sexuais em uma categoria homogênea pode ocultar desigualdades, o que reforça a necessidade da adoção de políticas de prevenção adequadas às necessidades específicas dos bissexuais.

 

Link para o artigo: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jia2.70132