Prevalência de aterosclerose coronariana em pessoas que vivem com HIV no Peru
Pessoas que vivem com HIV apresentam um risco aumentado de doença cardiovascular, mas dados sobre aterosclerose coronariana (acúmulo de placas de gordura e colesterol nas paredes das artérias que irrigam o coração) na América Latina ainda são pouco conhecidos.
Estudo conduzido por Moises Huaman, da Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores, examinou a prevalência e os fatores associados à aterosclerose coronariana entre pacientes com HIV no Peru. O ensaio foi apresentado na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.
De fevereiro de 2023 a abril de 2025, os investigadores recrutaram pessoas vivendo com HIV, de 40 a 75 anos, que estivessem em terapia antirretroviral (TARV) estável e residissem na cidade de Lima. Pacientes com histórico de eventos cardiovasculares foram excluídos. Todos foram regularmente submetidos a angiotomografias computadorizadas para a identificação de possíveis doenças cardiovasculares.
No total, 500 participantes acabaram incluídos na pesquisa, dos quais 464 (93%), com mediana de idade de 47 anos, aceitaram realizar as angiotomografias computadorizadas. Desses, 401 (86%) eram do sexo masculino. A duração média da infecção pelo HIV era de 12,3 anos e 99% apresentavam supressão viral (carga viral inferior a 200 cópias/ml).
Ao final do período de acompanhamento de dois anos, a prevalência de aterosclerose coronariana foi de 49%, com aterosclerose coronariana obstrutiva (quando ocorre o entupimento total das artérias que irrigam o coração) sendo diagnosticada em 9% dos pacientes. Os principais fatores associados à aterosclerose coronariana foram possuir idade mais avançada, ter índice de massa corporal mais elevado, a pobreza e o tabagismo.
Os autores afirmam que aproximadamente metade das pessoas que vivem com HIV no Peru corre alto risco de desenvolver aterosclerose coronariana. Segundo eles, os achados desse estudo reforçam a importância de intervenções farmacológicas e de mudança de estilo de vida para reduzir a taxa de morbidade cardiovascular na região.
Fonte: site da AIDS 2026, 31 de julho de 2026.
(https://programme.aids2026.org/mobile/Search/Search?search=OAB3403#modal)



