HIV, IST e Outros

Eficácia e segurança do tratamento à base de B/F/TAF entre jovens que vivem com HIV

Crianças e adolescentes que vivem com HIV têm opções limitadas de terapia antirretroviral (TARV) e frequentemente precisam tomar vários comprimidos para suprimir o vírus. O bictegravir associado à emtricitabina e ao fumarato de tenofovir alafenamida (B/F/TAF) é um regime de comprimido único, diário e geralmente bem tolerado.

Conduzido por Eva Natukunda, do Centro de Pesquisa Clínica de Kampala, em Uganda, e outros pesquisadores, um estudo testou a eficácia e a segurança da TARV baseada no B/F/TAF entre crianças e adolescentes de três continentes. A análise foi apresentada na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.

Foram considerados elegíveis para o ensaio, realizado de janeiro de 2020 a junho de 2025, jovens, de 2 a 18 anos, que vivessem com HIV e apresentassem supressão viral (carga viral inferior a 50 cópias/ml) no momento da inclusão. Todos residiam na África do Sul, Uganda, Tailândia ou Estados Unidos.

Os participantes acabaram divididos em três grupos com as seguintes características: 1) 12 a 18 anos e mais de 35 kg; 2) 6 a 12 anos e mais de 25 kg; e 3) 2 a 14 anos e menos de 25 kg. Os grupos 1 e 2 receberam comprimidos de B/F/TAF de 25 mg, enquanto o grupo 3 tomou B/F/TAF de 15 mg.

Um total de 122 crianças e adolescentes (50 no grupo 1, 50 no grupo 2 e 22 no grupo 3) foram incluídos na pesquisa. As medianas de idade eram de 15, 10 e 6 anos, nos grupos 1, 2 e 3, respectivamente. No geral, 64%, 54% e 50% eram do sexo feminino e 65%, 72% e 73% eram negros, respectivamente, nos grupos 1, 2 e 3.

Dos 99 participantes com dados de carga viral disponíveis na 240ª semana, apenas um, de grupo não informado, não apresentava supressão viral. Quase todos os eventos adversos registrados foram considerados de intensidade leve ou moderada. Somente um integrante da pesquisa, do grupo 3, teve a TARV suspensa (retomada em cinco dias) após relatar o surgimento de náuseas e vômitos.

De acordo com os autores, o tratamento baseado no B/F/TAF demonstrou alta eficácia em longo prazo em crianças e adolescentes que vivem com HIV. Eles destacam que novos estudos são necessários para que o medicamento possa ser implementado em larga escala, especialmente entre os jovens em situação de maior vulnerabilidade.

Fonte: site da AIDS 2026, de 28 de julho de 2026.

(https://programme.aids2026.org/mobile/Search/Search?search=OAB0103#modal)