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Impacto de uma intervenção cognitivo-comportamental em mulheres sul-africanas com HIV que sofreram violência por parceiro íntimo

A África do Sul, país que conta atualmente com alta prevalência de HIV, apresenta também desafios relacionados à continuidade do tratamento. Para mulheres que vivem com HIV, destacam-se, por exemplo, os efeitos da violência por parceiro íntimo, que, ao se associar a quadros de saúde mental, como depressão, trauma e outras condições, dificultam a adesão à terapia antirretroviral e à continuidade do cuidado.

Artigo publicado no Journal of the International AIDS Society, por Matthew Fox, da Universidade Boston e colaboradores, buscou avaliar se uma intervenção da terapia cognitivo-comportamental, a Common Elements Treatment Approach (Ceta), funcionaria para melhorar os desfechos clínicos entre mulheres sul-africanas em tratamento para o HIV.

O estudo foi conduzido de novembro de 2021 a setembro de 2024 em duas clínicas de HIV em Joanesburgo e Soweto com 399 mulheres em terapia antirretroviral que relataram violência por parceiro íntimo no último ano e apresentavam ou carga viral não suprimida ou dificuldades de adesão ao tratamento.

As participantes foram randomizadas para receber entre 8 a 12 sessões de aconselhamento com Ceta ou, para o grupo controle, mensagens de textos semanais de segurança. Para medir o sucesso da intervenção, o estudo avaliou se, em 12 meses, as pacientes continuavam indo às consultas do tratamento de HIV e possuíam a carga viral suprimida (≤ 50 cópias/mL).

Os resultados, entretanto, demonstraram que a intervenção não produziu melhora significativa no tratamento. No grupo controle, 43,7% das participantes alcançaram supressão viral e continuidade no tratamento, contra 42,6% no grupo com Ceta.

Mesmo sem uma eficácia direta sobre o tratamento de HIV, os autores destacam a importância da intervenção para melhorar quadros de depressão e estresse pós-traumático, recomendando-a para programas de cuidado de HIV, especialmente em lugares onde os serviços de saúde mental são limitados. No contexto brasileiro, os achados também podem suscitar uma reflexão sobre os limites de estratégias centradas apenas no tratamento biomédico e a necessidade de integrar o cuidado em saúde mental para pessoas que vivem com HIV.

Link para o artigo: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jia2.70172