HIV, IST e Outros

Fatores associados à pior qualidade de vida entre pessoas mais velhas com HIV na Tanzânia

O sucesso das terapias antirretrovirais (TARV) aumentou significativamente a expectativa de vida de pessoas vivendo com HIV, mas também trouxe novos desafios. Para as pessoas mais velhas que vivem o vírus, o envelhecimento pode vir acompanhado de doenças crônicas e de condições como fragilidade, limitações funcionais, alterações cognitivas e depressão, capazes de comprometer a autonomia e a qualidade de vida.

Para compreender melhor as condições associadas ao envelhecimento com HIV, um artigo publicado na edição de julho do periódico Journal of the International AIDS Society investigou os fatores relacionados à pior qualidade de vida entre pessoas com 50 anos ou mais que vivem com HIV na Tanzânia. Conduzido por Theresia Ottaru, da Universidade Muhimbili de Saúde e Ciências Afins, e outros colaboradores, o estudo analisou a ocorrência tanto de síndromes geriátricas (como fragilidade, limitações funcionais, alterações cognitivas e depressão) quanto de comorbidades médicas (entre elas hipertensão, diabetes, dislipidemia, disfunção renal e obesidade).

Os participantes estavam em TARV há pelo menos 3 anos e foram recrutados em sete centros de cuidado e tratamento para HIV de abril a julho de 2024. A qualidade de vida foi avaliada por meio de um questionário composto por 31 itens distribuídos em seis domínios, enquanto as síndromes geriátricas e as comorbidades médicas foram investigadas por meio de instrumentos padronizados, avaliações clínicas e exames laboratoriais.

A dislipidemia, caracterizada por níveis alterados de colesterol e/ou triglicerídeos no sangue, foi a comorbidade médica mais comum (80,2%), seguida pela hipertensão (54,5%) e pelo sobrepeso ou obesidade (50,8%). Quanto às síndromes geriátricas, 13,8% dos participantes apresentavam fragilidade, condição marcada por maior vulnerabilidade física, com sinais como perda involuntária de peso, cansaço, baixa atividade física, lentidão e redução da força muscular. Outros 48,3% foram classificados como pré-frágeis. Por sua vez, 27,2% apresentavam sintomas depressivos de intensidade leve ou moderada/grave.

Os resultados do estudo revelaram uma alta frequência de condições adversas associadas ao envelhecimento, com a pré-fragilidade e a depressão leve ou moderada/ grave mais associadas à pior qualidade de vida. Tais achados reforçam a necessidade de integrar cuidados geriátricos e de saúde mental aos serviços de HIV, de modo a atender às especificidades das pessoas mais velhas que vivem com o vírus na Tanzânia.

Link para o artigo: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/jia2.70163