Confira os destaques da live ImPrEP sobre Doxi-PEP
Para ampliar a divulgação da Doxi-PEP, que, em breve, deve ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS), inicialmente para as minorias sexuais e de gênero do país, pessoas vivendo com HIV e usuários da profilaxia pré-exposição (PrEP), o ImPrEP LEN Brasil realizou, no dia 28 de maio, em sua página institucional no YouTube (https://www.youtube.com/@projetoimprepini-fiocruz6657), a live “Doxi-PEP: agora temos mais uma prevenção para infecções sexualmente transmissíveis bacterianas”.
O encontro contou com as participações de Mayara Secco, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa clínica em IST, HIV/Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz (INI/Fiocruz-RJ), Kim Geraldo, mestre em pesquisa clínica pelo INI/Fiocruz, e Romina Oliveira, consultora técnica da Coordenação-Geral de IST do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis/Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, do Ministério da Saúde. A mediação ficou a cargo de Luciana Kamel e Julio Moreira, assessora de educação comunitária do ImPrEP LEN Brasil e coordenador comunitário do projeto para a população HSH, respectivamente.
Para dar início à reunião, Mayara discorreu sobre o funcionamento da Doxi-PEP: “Basta tomar dois comprimidos de 100 mg do antibiótico doxiciclina até 72 horas após o sexo sem preservativo para ficar protegido das IST bacterianas, especialmente a sífilis e a clamídia”. A pesquisadora explicou que, embora também exista alguma proteção contra a gonorreia, a bactéria que causa essa infecção, conhecida como gonococo, já desenvolveu variações genéticas que podem escapar da ação do medicamento.
Em seguida, a pesquisadora falou sobre a prevenção combinada para IST, lembrando da importância do uso regular de preservativos durante as relações sexuais e da realização de exames periódicos. Em seguida, apresentou o DoxyPEP, o DoxyVAC e o dPEP Kenya, três ensaios clínicos globais que testaram a segurança e a eficácia da Doxi-PEP.
Mayara explicou que o DoxyPEP e o DoxyVAC contaram com a presença apenas de HSH, enquanto o dPEP Kenya foi a única pesquisa que teve a participação de mulheres cisgênero. Com exceção desse último, em que as voluntárias não tiveram uma adesão adequada ao medicamento, nos outros dois, a Doxi-PEP registrou uma eficácia de aproximadamente 87% para sífilis, 88% para clamídia e 55% para gonorreia.
A pesquisadora deu prosseguimento à sua apresentação com um alerta importante: “O uso da Doxi-PEP deve ser racional, ou seja, apenas em casos emergenciais. Embora ela seja uma importante ferramenta de prevenção combinada contra as IST bacterianas, o antibiótico não pode ser utilizado de maneira indiscriminada, sob pena de causar um desequilíbrio à microbiota humana”.
Para encerrar sua participação, Mayara falou sobre os estudos em andamento no Brasil relacionados à Doxi-PEP e apresentou dados preliminares do ensaio clínico Doxi-Rio, desenvolvido no âmbito do INI/Fiocruz, que visa implementar o medicamento no município do Rio de Janeiro. De acordo com ela, 33% dos participantes conheciam a Doxi-PEP, 84% se disseram dispostos a utilizá-lo e 6% já haviam usado-a.
Doxi-Rio
Kim Geraldo centrou a sua apresentação no ensaio clínico Doxi-Rio. Ela explicou que trata-se de um estudo realizado somente na cidade do Rio de Janeiro, com objetivo de avaliar a implementação da Doxi-PEP entre minorias sexuais e gênero no contexto do SUS.
A seguir, a pesquisadora detalhou a população do ensaio clínico, que teve início em outubro de 2025: “Puderam participar maiores de 18 anos, gays, bissexuais ou outros homens que fazem sexo com homens (HSH) ou pessoas transgênero, desde que tivessem um diagnóstico positivo de HIV ou fossem HIV negativas em uso da PrEP”. Kim também lembrou ser indispensável ter tido um diagnóstico de alguma IST bacteriana nos seis meses anteriores à inclusão.
Segundo a pesquisadora, 86% dos participantes se identificaram como HSH, 7,1% como mulheres trans/travesti, 3,2% como pessoas não binárias, 1,3% como queer e 0,6% como homens trans. Além disso, 68% eram usuários de PrEP e 32% possuíam um diagnóstico positivo para o HIV. A maioria se autorrelatava preto ou pardo e apresentava o ensino secundário completo.
Ela destacou que, durante o período de acompanhamento da pesquisa, os voluntários do grupo da Doxi-PEP irão tomar dois comprimidos de 100 mg de doxiciclina de acordo com o protocolo estabelecido e todos os envolvidos realizarão exames periódicos para que se verifique a eficácia do medicamento. Kim informou que a análise final dos dados deve acontecer ainda no segundo semestre de 2026.
A implementação no SUS
A última apresentação da live ficou a cargo de Romina, que iniciou sua fala apresentando os números da sífilis, a IST de maior incidência no Brasil. Segundo dados oficiais apresentados por ela, foram registrados 256.830 diagnósticos da doença no país em 2024, com a ocorrência de 183 óbitos.
Prosseguindo sua exposição, Romina deu um breve panorama da epidemia de HIV e da implementação da PrEP oral diária entre as populações-chave do Brasil para exemplificar o impacto esperado com a introdução da Doxi-PEP na incidência de IST. Em seguida, fez uma ressalva: “É importante lembrar que a Doxi-PEP é apenas uma das estratégias de prevenção combinada. Ela não substitui o uso de preservativos, nem a realização de testes regulares”.
A consultora seguiu explicando como acontecerá a implementação do medicamento no SUS. Afirmou que a retirada da Doxi-PEP incluirá a oferta de testes rápidos para sífilis e exames de biologia molecular para clamídia e gonorreia, realizados por meio de amostras de secreções genitais ou extragenitais (como na laringe, por exemplo), nas unidades de atenção primária à saúde do país.
Romina informou que essa implementação pode ocorrer ainda no segundo semestre de 2026 e contou que o Ministério da Saúde pretende disponibilizar um espaço digital específico para informar e elucidar todo tipo de dúvida relacionada ao medicamento. “Será uma ferramenta fundamental para que a Doxi-PEP chegue com segurança às populações-chave do país e a gente possa enxergar uma queda na curva de novas infecções bacterianas, especialmente por sífilis e clamídia”.
A consultora explicou que, apesar de a doxiciclina já ser usada em larga escala no Brasil há muitos anos, a Doxi-PEP será incorporada ao SUS como uma nova tecnologia. De acordo com ele, essa é a primeira vez que o medicamento será utilizado como uma profilaxia, ao invés de um antibiótico para o tratamento de infecções bacterianas.
Romina também destacou a realização de uma consulta popular, em janeiro de 2026, que recebeu inúmeras contribuições da sociedade civil (opiniões, sugestões e críticas) por intermédio, principalmente, das redes sociais. “Foi fundamental para que a gente tivesse a certeza de que estamos no caminho certo. A disponibilização da Doxi-PEP será uma importante resposta às necessidades de prevenção de IST bacterianas para as minorias sexuais e de gênero do Brasil”, finalizou a consultora.
Para assistir à live:



