Fatores associados à disposição de uso de vacina hipotética contra o HIV entre HSH, pessoas trans e não-binárias
Um estudo transversal explorou a disposição de uso de uma vacina hipotética contra o HIV entre gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas transgênero e não-binárias, investigando fatores psicossociais. O trabalho foi publicado no periódico Vaccine X, com autoria de Amanda Amorim, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz-RJ, e outros colaboradores.
A pesquisa utilizou questionários já validados em estudos anteriores, que avaliaram a confiança dos participantes nas vacinas, crenças em teorias de conspiração sobre as mesmas, além do quanto os voluntários se sentiam motivados pelo bem coletivo (altruísmo) ou preocupados com questões sociais ao pensar em uma vacina contra o HIV.
De julho a dezembro de 2021, 3.337 participantes foram incluídos a partir de um recrutamento on-line em redes sociais e aplicativos de encontros. A amostra foi composta majoritariamente por HSH (97,7%) e pessoas que se identificavam como gays (82,1%), com 2.562 (76,8%) reportando disposição em usar a vacina contra o HIV.
Por sua vez, a motivação altruísta, preocupações sociais e a percepção de eficácia do imunizante estiveram positivamente associadas à disposição de usar a vacina; já a crença em teorias da conspiração sobre vacina foi o fator mais fortemente associado à sua rejeição. Esses resultados reforçam a necessidade de estratégias de comunicação que enfatizem a eficácia das vacinas e seu benefício para a população em geral, combatendo a desinformação e garantindo uma maior aceitação entre populações-chave.
Link para o artigo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2590136226000197
* Autores do texto:
Amanda Amorim (1), Thiago Torres (2), Cristina Pimenta (2), Silvana Giozza (3), Beatriz Grinsztejn (2), Valdiléa Veloso (2) e Paula Luz (2).
(1) Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil
(2) Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil.
(3) Ministério da Saúde do Brasil, Brasília, Brasil.



