Disparidades na incidência do HIV entre mulheres transgêneros norte-americanas e porto-riquenhas
Conduzido por Sari Reisner, da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores, estudo investigou fatores associados à incidência do HIV entre mulheres transgênero norte-americanas e porto-riquenhas. A análise foi apresentada na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada de 22 a 25 de fevereiro de 2026, em Denver, nos Estados Unidos.
O estudo coletou, de janeiro de 2023 a dezembro de 2024, dados de mulheres trans e outras pessoas designadas como do sexo masculino ao nascer, mas que não se identificam como homens, maiores de 18 anos, em nove centros de estudos dos Estados Unidos, um centro de estudo de Porto Rico e de maneira on-line nos dois países. As participantes responderam a questionários e realizaram testes de HIV a cada seis meses.
Um total de 2.504 voluntárias acabaram incluídas na pesquisa, sendo a maioria (64%) de forma on-line. A maior parte das mulheres transgênero era branca (78%) e tinha mais de 25 anos (81%). Menos de um quinto (18%) se identificou como latinas e 5% se disseram asiáticas. A mediana de idade da amostra foi de 32 anos.
No geral, 49% possuíam plano de saúde público ou nenhum plano de saúde, 30% relataram pobreza, 10% realizaram trabalho sexual nos seis meses anteriores à pesquisa e 9% estavam em situação de rua. A maioria (72%) já havia sofrido com episódios de violência física e/ou psicológica durante a vida adulta e 26% informaram abuso sexual na infância.
Durante o período de acompanhamento, foram registrados 39 novos diagnósticos de HIV (taxa de incidência de 3,95 casos por 1.000 pessoas-ano). Embora a incidência do vírus tenha sido semelhante entre grupos etários, houve outras disparidades importantes. Mulheres trans negras apresentaram uma incidência 15,5 vezes maior em comparação com as brancas, enquanto mulheres trans latinas registraram uma incidência 7,5 vezes maior quando comparadas com as não latinas.
Segundo os autores, as mulheres transgênero norte-americanas e porto-riquenhas precisam de intervenções personalizadas que afirmem sua identidade de gênero. Afirmam que a continuidade da pesquisa com foco na inclusão de gênero é vital para que se possa combater as disparidades ainda existentes e preservar as estratégias de redução das desigualdades que estejam apresentando bons resultados.
Fonte: site do Aidsmap, de 2 de março de 2026.



