HIV, IST e Outros

Lacuna no conhecimento do status de HIV entre homens cisgênero do continente africano

Conduzido por Criag Heck, da Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores, estudo examinou o conhecimento do status de HIV e a adesão à terapia antirretroviral (TARV) entre homens cisgênero do continente africano. A análise foi apresentada na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada de 22 a 25 de fevereiro de 2026, em Denver, nos Estados Unidos.

De janeiro de 2023 a novembro de 2024, os investigadores utilizaram dados de ensaios clínicos realizados em sete países do continente africano: Eswatini, Lesoto, Malauí, Moçambique, Tanzânia, Uganda e Zimbábue. Todos os participantes tiveram que responder a questionários com perguntas sobre dados demográficos e comportamentos sexuais, além de realizar exames para verificar o status de HIV, a adesão à TARV e a carga viral.

Dos 5.930 voluntários incluídos na pesquisa, 33% tinham mais de 50 anos, enquanto 26% possuíam de 15 a 24 anos. Menos de 2% relataram a prática de sexo com outros homens, 1% informou ter o hábito de pagar ou receber uma quantia em dinheiro para fazer sexo e 23% disseram viver em moradias instáveis (moravam nas ruas ou em residências precárias).

Entre os homens mais jovens (de 15 a 24 anos), 29% não conheciam o seu status sorológico, 31% viviam com HIV, mas não realizavam a TARV e 46% daqueles que viviam com o vírus não apresentavam supressão viral. Os participantes que possuíam moradias instáveis também registraram taxas preocupantes: 18% desconheciam o próprio status sorológico, 22% viviam com HIV, mas não tomavam a TARV e 29% dos que viviam com o vírus não tinham supressão viral.

Em contrapartida, os voluntários mais velhos (acima de 50 anos) registraram melhores índices: apenas 8% não conheciam o seu status sorológico, 9% viviam com HIV, mas não realizavam a TARV e 13% dos que viviam com o vírus não apresentavam supressão viral.

Os participantes que praticavam sexo com outros homens, aqueles que pagavam ou recebiam para fazer sexo e os que residiam em Uganda registravam, em média, taxas mais elevadas de conhecimento do próprio status sorológico e de realização da TARV.

Para os autores, existe uma grande lacuna entre os homens do continente africano no que diz respeito ao conhecimento do status sorológico e ao tratamento da infeção pelo vírus. Eles afirmam que é importante aumentar a adesão aos testes de HIV e aos medicamentos antirretrovirais, principalmente entre os mais jovens, os que vivem em moradias instáveis e os que fazem parte de casais sorodiferentes.

Fonte: site do Aidsmap, de 13 de março de 2026.

(https://www.aidsmap.com/news/mar-2026/younger-mobile-men-especially-likely-not-know-they-have-hiv-eastern-and-southern)