Análise da supressão viral entre sul-africanos que realizavam a TARV com dolutegravir
Publicado em 19 de janeiro de 2026, no Journal of the International AIDS Society, estudo teve como objetivo estimar a taxa de supressão viral em sul-africanos que viviam com HIV e realizavam a terapia antirretroviral (TARV) usando dolutegravir, além de examinar fatores associados à não supressão viral entre esse público. O ensaio foi conduzido por Haroon Moolla, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e outros pesquisadores.
De julho de 2005 a dezembro de 2023, os investigadores utilizaram dados do International Epidemiology Databases to Evaluate AIDS (IeDEA), um consórcio mundial que conta com informações de mais de 2,2 milhões de pessoas com HIV. A supressão viral foi definida como qualquer contagem de carga viral inferior a 1.000 cópias/ml.
No geral, 380.720 pessoas vivendo com HIV, todas maiores de 15 anos, foram incluídas na pesquisa. Dessas, 64,7% se identificaram como mulheres. Os participantes iniciaram a TARV com, em média, 35,4 anos. A taxa de supressão viral aumentou consideravelmente ao longo dos anos, passando de 89,1% em 2005 para 95,3% em 2023.
Quase um quarto dos voluntários (24,8%) iniciaram a TARV com esquemas baseados no dolutegravir e outros 14% mudaram seus regimes originais para um regime contendo o medicamento após alcançarem a supressão viral. Ao final do período de acompanhamento, quase todos os participantes que tomavam o dolutegravir (98,5%) apresentavam a carga viral indetectável.
Entre os usuários do dolutegravir, a interrupção da TARV foi considerada baixa e quase sempre motivada pela demora em suprimir o vírus. A não supressão viral foi fortemente associada a possuir uma idade mais avançada (acima de 45 anos), a realizar a TARV há menos de um ano e à diminuição da contagem de células CD4.
Segundo os autores, os esquemas baseados no dolutegravir registraram altas taxas de supressão viral em pessoas sem histórico prévio de tratamento do HIV e mantiveram o vírus suprimido naquelas que já realizavam a TARV com outras substâncias. Eles afirmam que novos ensaios clínicos na região são necessários para que o uso do dolutegravir possa ser expandido por todo o continente africano.
Fonte: site do Journalof the International AIDS Society, de 19 de janeiro de 2025.



