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Status de HIV não afeta respostas imunológicas à vacina Oxford/AstraZeneca

Dois estudos, um de Londres, outro da África do Sul, realizados em 2020, mostraram que a vacina da Covid-19 Oxford/AstraZeneca produziu respostas imunes semelhantes em pessoas que vivem ou não com o HIV. Os estudos também revelaram que as pessoas com HIV não apresentaram reações adversas mais graves ao imunizante. Por enquanto, as descobertas, ainda precisam ser revisadas por pares independentes para, em seguida, serem divulgadas em publicações científicas.

Londres

Como parte do estudo de fase 2/3 da vacina Oxford/AstraZeneca, foi realizado um subestudo em pessoas com HIV, liderado por John Frater, da Universidade de Oxford. O trabalho recrutou 54 participantes em hospitais de Londres e todos receberam a vacina. Os resultados foram comparados com um grupo de controle formado por 50 pessoas sem HIV, retiradas do estudo maior da vacina.Todos os participantes receberam duas doses padrão do imunizante, com quatro a seis semanas de intervalo.

Os testes não mostraram, em nenhum momento após a vacinação, diferença nas respostas de anticorpos entre pessoas com HIV e o grupo de controle. As respostas dos anticorpos não foram afetadas pela contagem de CD4 em pessoas vivendo com HIV.

O estudo comparou, ainda, reações adversas entre pessoas que vivem com HIV e o grupo de controle. Não foi encontrada nenhuma diferença significativa na incidência das reações mais comuns, como dor no local da injeção (relatada por 49% das pessoas que vivem com HIV), fadiga (47%), cefaleia (47%) e dores musculares ou articulares (36%).

África do Sul

O segundo estudo, realizado em sete cidades da África do Sul, foi coordenado pela equipe do Conselho de Pesquisas Médicas localcomo parte dos estudos de segurança e imunogenicidade de fase 1b/2a para a vacina Oxford/AstraZeneca. Era elegível para participar quem estivesse em tratamento antirretroviral. As 104 pessoas vivendo com HIV e as 70 pessoas sem HIV foram randomizadas para receber a vacina ou uma injeção de placebo, com 28 dias de intervalo.

Foram medidas as respostas dos anticorpos à vacina em pessoas com HIV, bem como a segurança do imunizante contra reações adversas. Não foi encontrada nenhuma diferença nas respostas de anticorpos entre pessoas com e sem HIV. As medições foram feitas 28 e 42 dias após a aplicação da primeira dose.

Também não houve diferença na frequência de reações adversas entre pessoas com e sem HIV. Cefaleia leve ou moderada, dor nas articulações ou musculares e fraqueza foram relatadas por cerca de 25% dos receptores da vacina após a primeira dose. Febre e calafrios foram reações incomuns ao imunizante nessa população.

Fonte: site do Aidsmap, de 5 de maio de 2021.

(https://www.aidsmap.com/news/may-2021/hiv-status-does-not-affect-immune-responses-oxfordastrazeneca-vaccine-two-studies)

Link para os estudos:

https://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3829931

https://www.researchsquare.com/article/rs-322470/v1