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Redes sociais são essenciais para a adoção da PrEP na zona rural do Quênia e Uganda

Pessoas com risco elevado de exposição ao HIV apresentavam 57% mais probabilidade de iniciar a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV se tivessem um contato de rede social na zona rural do Quênia e Uganda, comentou Catherine Koss, da Universidade da Califórnia, durante a Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada virtualmente de 6 a 10 de março de 2021.

O projeto “Pesquisa Sustentável na África Oriental em Saúde Comunitária” (SEARCH) oferece cuidados de saúde intensificados, teste universal de HIV, maior acesso à PrEP e tratamento antirretroviral para comunidades rurais nesses dois países africanos. Ano passado houve uma redução de 74% nas infecções por HIV observadas naqueles que iniciaram a profilaxia como parte do estudo SEARCH. Também foi constatado interesse entre os jovens em iniciar ou continuar usando a PrEP, que foi padronizada de acordo com linhas de gênero.

A implementação da intervenção do SEARCH PrEP, de 2016 a 2017, começou em 16 das 32 comunidades do projeto SEARCH, até uma implementação nacional da profilaxia no Quênia e em Uganda. A PrEP foi disponibilizada universalmente para aqueles que atenderam aos critérios de elegibilidade: estar em um relacionamento com alguém que vivia com HIV (um parceiro sorodiferente); ter pontuação de alto risco avaliada pelos pesquisadores; se identificar como estando em um nível alto de risco de adquirir o HIV. Em conjunto com as unidades de teste de HIV, esses indivíduos iniciaram o uso da PrEP.

Durante a testagem de HIV, os membros da comunidade foram solicitados a nomear contatos sociais em um dos cinco domínios apresentados (saúde, dinheiro, apoio emocional, comida ou tempo livre). Isso permitiu que os pesquisadores construíssem redes de comunidades sociais (‘sociocêntricas’) nas quais um participante nomeava seus contatos e também era nomeado por outros como um contato.

Apesar dos pesquisadores terem registrado redes sociais de 220.332 pessoas, a análise centrou-se no total de 8.898, que foram avaliadas como estando em maior risco em relação ao  HIV. Esse grupo teve em média 2,15 ligações por pessoa. Quase metade dessa subamostra era do sexo feminino, 34% tinham de 15 a 24 anos, 11% possuíam um parceiro vivendo com HIV e 17% eram considerados em ocupações de alto risco para aquisição do vírus. Dessa amostra, 14% tiveram um contato de rede que iniciou a PrEP no ano anterior e 18% contato com uma pessoa que vive com HIV.

A questão central para Koss e demais pesquisadores era saber se ter ou não um contato da rede que iniciou a PrEP poderia influenciar um outro indivíduo dessa mesma rede a aderir ao uso da profilaxia. A resposta foi positiva: depois de levar em consideração fatores como idade, sexo, ter um parceiro vivendo com HIV, poligamia e mobilidade, as pessoas dessa rede tinham 57% mais probabilidade de começar a tomar a PrEP por eles próprios. “As intervenções que alavancam as redes de pares existentes e fortalecem as conexões sociais com outros usuários da profilaxia são abordagens promissoras para promover o uso da PrEP”, concluiu Koss.

Fonte: Site Aidsmap, de 11 de março de 2021 https://www.aidsmap.com/news/mar-2021/social-networks-key-prep-uptake-rural-kenya-and-uganda

Site CROI:https://www.croiconference.org/abstract/social-networks-predict-prep-uptake-in-search-study-in-rural-kenya-and-uganda/