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Como HSHs desenvolvem resiliência em resposta ao HIV

Recursos, fatores de proteção e força de vontade contribuem para o desenvolvimento de resiliência ao HIV em homens que fazem sexo com homens (HSH) com mais de 40 anos. Essa foi a conclusão de um estudo, realizada em agosto de 2020, liderada por Renato Liboro, do Centro para Dependência e Saúde Mental, em Toronto, Canadá.

De acordo com o autor, a resiliência pode ser definida como uma “adaptação positiva dentro do contexto de adversidade significativa” e pode se desenvolver nos níveis individual e comunitário. A resiliência permite que os indivíduos enfrentem e superem desafios como viver com HIV ou correr o risco de contraí-lo.

A pesquisa teve como foco as experiências do público HSH de meia idade ou idoso, para destacar os fatores que desempenham um papel no desenvolvimento da resiliência à medida que os indivíduos envelhecem, tanto para quem vive com HIVquanto para os que são HIV negativos.

O estudo usou uma abordagem baseada em pontos fortes para entender melhor quantos indivíduos idosos vivendo com HIV desenvolveram resiliência não apenas para sobreviver aos seus impactos clínicos e sociais, mas também para viver uma vida plena.Da mesma forma, os pesquisadores entrevistaram aqueles que permaneceram HIV negativos, apesar de encontrarem fatores de risco sexuais e sociais e de viverem no auge da epidemia em Toronto.

As entrevistas foram conduzidas com 55 HSH de Toronto, com idade média de 54 anos. Três quartos dos participantes viviam com HIV.A maioria dos homens se identificou como homossexual (78%) e branco (49%).Negros (16%), asiáticos (15%) e outros homens com diversidade racial e imigrantes também foram representados no estudo.O trabalho incluiu três homens trans.

Tanto para os HIV negativos quanto para aqueles que vivem com HIV, espaços LGBTQ+, organizações baseadas na comunidade, como organizações e serviços de Aids, clínicas comunitárias e abrigos, podem ser usados, quando necessário, como espaços seguros e inclusivos.Esses recursos foram frequentemente citados como provedores de serviços essenciais e, ocasionalmente, como salva-vidas para os homens.

Ambos os grupos também falaram sobre a importância de excelentes provedores de saúde com quem pudessem conversar facilmente, por serem abertamente gays ou pessoas que não julgam.Homens que vivem com HIV citaram o uso de serviços de redução de danos, como a troca de seringas, com mais frequência do que os HSH HIV negativos.

Para os imigrantes, o Canadá foi visto como um espaço seguro onde a sexualidade pode ser expressa de maneira aberta e os serviços necessários eram facilmente encontrados. Os participantes trans relataram a importância de viver no centro de Toronto, que fornece acesso a serviços essenciais, incluindo serviços específicos para essa população em locais comunitários.

Fonte: site do Aidsmap, de 16 de dezembro de 2020.

(https://www.aidsmap.com/news/dec-2020/how-do-men-who-have-sex-men-develop-resilience-response-hiv)

Link para o estudo: https://issuu.com/championmhlab/docs/mao_msm_r2ha_-_community_report