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Estudo examina comportamento de mulheres em relação à PrEP de longa duração

Embora a profilaxia pré-exposição (PrEP) seja um método altamente eficaz para reduzir o risco de infecção pelo HIV, o seu uso ainda é considerado baixo, especialmente entre as mulheres. Por isso, pesquisadores da Escola Mailman de Saúde Pública, da Universidade Columbia, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, vêm conduzindo estudo acerca de versões injetáveis de ação prolongada (LAI) da profilaxia. Essas versões se encontram em fase final de testes e, em alguns casos, se mostramcom níveis de proteção superior à PrEP oral.

Baseado nessas novas versões de PrEP de longa duração, o estudo Interagency HIV Study, liderado por Morgan M. Philbin, entrevistou 30 mulheres, a maioria negra, com idade média de 51 anos e alto risco de HIV. O trabalho explorou a hesitação dessas mulheres em usar a profilaxia, bem como o interesse e a disposição em tomar a PrEP LAI. Mesmo com 1/3 dasentrevistadas relatandonão terinteresse em tomar PrEP, independentemente da formulação, quando solicitadas a escolher por uma delas a maioria (55%) preferiu a PrEP-LAI.

Apesar da crescente disponibilidade e da inclusão da PrEP em formulários estaduais de saúde, nos EUA, pouco mais da metade das mulheres entrevistadas nuncahavia ouvido falar da profilaxia. Quando informadas sobre o medicamento, compartilhavam uma visão quase uniforme de que a PrEP LAI era uma opção mais útil do que as outras, mas não relevantes para suas vidas.

As mulheres apontaram uma série de barreiras para o uso da LAI, incluindo o medo de produtos injetáveis, local da injeção (nádegas), possíveis efeitos colaterais, necessidade de consultas médicas mais frequentes (a PrEP LAI requer visitas clínicas a cada dois meses) e desconfiança para com a classe médica. Os pesquisadores observaram que tal desconfiança tratava-se de um receio quase que exclusivo de mulheres negras, dado o histórico de campanhas de esterilização forçada nos EUA, que normalmente usavam injeções.

De acordo com as entrevistadas, o principal benefício da PrEP LAI diz respeito à crença de que injeções são mais eficazes do que pílulas.Os pesquisadores apontaram outra vantagem importante da PrEP de longa duração:colaborar na prevenção do HIV para as mulheres cujos parceiros se recusam a usar preservativos e as que acreditam que seus parceiros possam ser infiéis.

Embora, desde 2010, a incidência de HIV tenha diminuído entre as mulheres, o mesmo não ocorre com as mulheres com mais de 55 anos. Além disso, as disparidades raciais e étnicas continuam gritantes: em 2017, as mulheres negras constituíam 59% dos novos diagnósticos de HIV entre as mulheres de modo geral, apesar de serem apenas 13% da população feminina dos EUA. “As mulheres negras correm um risco desproporcional de adquirir o HIV. Precisamos debater como as medidas de prevenção podem ser ampliadas de maneira que sejam facilmente incorporadas em suas vidas diárias”, afirma Philbin.

Fonte: site do Medicalxpress, de 22 de setembro.

(https://medicalxpress.com/news/2020-09-women-attitudes-long-acting-therapy-hiv.html)