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ESTUDO AMERICANO MOSTRA QUE CONHECIMENTO SOBRE PREP NÃO CHEGA ÀS MULHERES

Um estudo com mulheres, em sua maioria jovens e negras, atendidas em um pronto socorro e em uma clínica de infecções sexualmente transmissíveis (IST), ambos em Chicago (EUA), encontrou baixos níveis de conhecimento sobre PrEP. Isso ocorremesmo em uma cidade onde se realiza regularmente campanhas de divulgação da profilaxia, direcionadas a mulheres e homens heterossexuais, além de membros da comunidade LGBTQ+.

O estudo, de 2020, conduzido pela equipe de Lisa Hirschorn, da Northwestern University, junto com a Aids Foundation of Chicago, descobriu que a falta de conhecimento acerca da PrEP não era relacionada à falta de interesse pela profilaxia. Embora menos de um terço das mulheres tivesse ouvido falar do assunto, uma vez que todas foram informadas, mais de um quarto anunciou a intenção de iniciar o tratamento. Muitas ficaram surpresas ao saber que o medicamento está disponível desde 2012.

Os pesquisadores afirmam que as mulheres precisam de mais acesso à PrEP. Embora a incidência geral de HIV entre mulheres negras, em Chicago, represente menos de um décimo da ocorrência em homens gays, ela é 14 vezes superior à ocorrência em mulheres brancas. No Condado de Cook, que cobre Chicago, menos de 7% das 7.239 pessoas que tomam a profilaxia eram mulheres cisgênero, embora quase 20% da população com HIV seja do sexo feminino.

O estudo pediu a 370 mulheres cisgênero, não grávidas, HIV negativas, que visitaram o departamento de emergência do hospital (250 mulheres) ou a clínica de IST (120 mulheres) para preencherem uma pesquisa. A maioria das mulheres era negra (83%), 12% latinas e menos de 5% brancas. A idade média foi de 28 anos. Setenta por cento tinham educação universitária,62% seguro-saúdee 13% nunca haviam realizado o teste de HIV.

Oitenta e cinco por cento haviam praticado sexo nos últimos seis meses: mais de um terço (35%) teve mais de um parceiro, porém apenas 14,5% usavam preservativo de forma consistente para sexo vaginal e 19% para sexo anal. Doze por cento já haviam contraído uma IST bacteriana.

Trinta e oito por cento das mulheres eram elegíveis para receber PrEP, de acordo com os critérios do serviço de saúde pública dos Estados Unidos. Apesar disso, menos de 10% se classificaram como de moderado a alto risco de contrair HIV. Uma proporção mais elevada (30%) disse que “às vezes ou com frequência” se preocupava com a Aids.

Trinta por cento das mulheres já tinham ouvido falar em PrEP. Dessas, 36% viram anúncios, 29,5% discutiram sobre a profilaxia com um médico e as outras 34% a descobriram por meio de amigos, líderes religiosos ou de forma on-line. Apenas 3% conheciam alguém que tomava PrEP.

Depois que todas no grupo foram informadas sobre a profilaxia, 28% afirmaram que fariam seu uso “provável ou definitivamente” nos próximos seis meses. As principais razões para isso (podiam escolher mais de uma) eram: “para proteger minha saúde” e “para reduzir a minha preocupação com o HIV”.

Fonte: site do Aidsmap, de 10 de agosto.

(https://www.aidsmap.com/news/aug-2020/chicago-study-suggests-knowledge-prep-not-crossing-over-women)

Crédito da ilustração: Coffee Bean/Pixabay