2020 Espaço Trans

Homens e mulheres trans ainda pouco familiarizados com a PrEP nos EUA

Jae Sevelius, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, liderou uma pesquisa com pessoas trans, nos Estados Unidos, mostrando que os homens trans têm mais consciência da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV do que as mulheres trans.

Nos EUA, estima-se que 14% das mulheres trans e 3% dos homens trans tenham HIV. Embora o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomende que as pessoas consideradas com maior risco de contrair o vírussejam testadas a cada seis meses, o teste continua menos aceito entre pessoas trans. Além disso, demonstrou-se que o conhecimento de PrEP é menor entre a população trans do que em homens cisgêneros que fazem sexo com outros homens.

Foi solicitada ao instituto Gallup uma pesquisa que recrutasse pessoas de todo o país. Esse método tem a vantagem de fornecer uma amostra representativa da população trans nacional, em vez de uma amostra específica para um centro de tratamento ou localidade. Os(As) participantes foram convidados (as) a preencher um questionário projetado para avaliar as condições de saúde da população trans.

Os (AS) participantes foram recrutados(as) em duas etapas. No estágio 1, receberam telefonemas e perguntas de forma aleatória, a fim de se obter uma cobertura geográfica representativa. No total, 432.251 pessoas foram contactadas, das quais 929 (0,2%) eram trans. Dessas, 629 concordaram em participar e avançar para o estágio 2 da pesquisa. Contudo, nem todos/as responderam na nova etapa e o conjunto final de dados incluiu respostas completas de 274 participantes. Para avaliar atitudes relacionadas à PrEP, foram excluídas as pessoas com HIV, assim como as que relataram não ter praticado sexo nos últimos cinco anos.

Isso resultou em uma amostra de 190 participantes sexualmente ativos, dos quais 120 foram considerados com risco de contrair o HIV. Homens trans constituíram uma alta proporção (56%) da amostra. Com relação à etnia, 59% eram considerados brancos. A maioria dos participantes (83%) estava em áreas urbanas, 58% haviam concluído o ensino médio e 23%  disseram estar vivendo na pobreza.

Cerca de 48% dos participantes HIV negativos que fizeram sexo nos últimos cinco anos conhecia o medicamento de PrEP. Cinquenta e oito por cento dos homens trans e 35% das mulheres trans disseram que estavam familiarizados com a profilaxia. Pessoas com níveis mais altos de escolaridade tinham maior probabilidade de conhecer a PrEP.

Quase um quarto das pessoas trans com risco de contrair HIV por meio do sexo com homens cisgêneros e/ou mulheres trans nunca havia feito um teste para HIV. Cinquenta e quatro por cento não cumpriam as recomendações do CDC para a testagem duas vezes ao ano ou mais frequentemente.

Fonte: site do Aidsmap, de 5 de agosto.

(https://www.aidsmap.com/news/aug-2020/us-58-trans-men-and-35-trans-women-are-familiar-prep)