PrEP: tecnologia de prevenção

PrEP injetável de longa duração: resultados preliminares satisfatórios

Quando tomado a cada dois meses, o cabotegravir, medicamento injetável de ação prolongada, é 69% mais eficaz do que o uso diário de um comprimido de  tenofovir associado a entricitabina (TDF/FTC), adotado na profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV. Esse é o resultado preliminar recém-anunciado do estudo HPTN 083, conduzido pela Rede de Ensaios de Prevenção ao HIV, que apontou alta eficácia do medicamento injetável na chamada “fase cega”, quando pelo menos uma das partes envolvidas (médico ou paciente) não tem conhecimento sobre qual produto ou dose está sendo administrado para cada um dos participantes.

Os dados já obtidos mostram que o cabotegravir não é inferior não é inferior à proteção oferecida pelas drogas de PrEP atuais. Essa nova modalidade de profilaxia pode abrir as portas para uma opção biomédica de prevenção ao HIV dirigida àqueles que preferem tomar injeções seis vezes ao ano ao invés de uma pílula diária ou que têm problemas de adesão ao esquema diário.

O estudo envolveu 4.570 participantes, entre eles gays/outros homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres transgênero que fazem sexo com homens, em 43 locais de sete países (Argentina, Brasil, Peru, África do Sul, Tailândia, EUA e Vietnã), tendo como pesquisadores principais Raphael Landovitz, da Universidade da Califórnia, e Beatriz Grinzstejn, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, do Brasil, também co-pesquisadora principal do ImPrEP.

Em uma revisão do estudo previamente planejada, o Conselho Independente de Monitoramento de Dados e Segurança (DSMB) constatou que os dados indicavam que o cabotegravir injetável de ação prolongada era altamente eficaz na prevenção do HIV na população estudada.

Entre os 50 participantes que adquiriram o HIV, 12 foram randomizados para o braço de cabotegravir de ação prolongada e 38 randomizados para o braço de TDF/FTC oral diário. Isso se traduziu em uma taxa de incidência de HIV de 0,38% e 1,21%, respectivamente. A adesão ao TDF/FTC oral foi alta, com base em uma amostra aleatória de subconjunto que detectou tenofovir (> 0,31 ng/ml) em 87% de todas as amostras testadas. Apesar desse alto nível de adesão à terapia oral diária, o cabotegravir de ação prolongada foi 69% (IC95% 41% -84%) mais eficaz que o TDF/FTC na prevenção da aquisição do HIV na população estudada.

Nesse sentido, o DSMB recomendou que a parte aleatória e cega do estudo fosse interrompida mais cedo e os resultados divulgados. Os participantes do braço de TDF/FTC receberão o cabotegravir e os participantes do braço do cabotegravir continuarão a recebê-lo. Os participantes que não quiserem o medicamento injetável receberão TDF/FTC até o final do componente cego originalmente planejado do estudo. A decisão do DSMB foi aprovada pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA , parte dos Institutos Nacionais de Saúde, o patrocinador do estudo.

Fontes: site do ScienceMag e site TheBodyPro, de 18 de maio.

(https://www.sciencemag.org/news/2020/05/long-acting-injectable-drug-prevents-hiv-infections?fbclid=IwAR2v7L4cBymSzjDrBA1IBW4mqWutWWTRf2khJnCF5_t9OeVlQ9S3a2tolvc#)

(https://www.thebodypro.com/article/investigational-prep-injection-holds-up-against-daily-prep)