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CURA PARA HIV PODE FUNCIONAR DE MANEIRA DIFERENTE ENTRE HOMENS E MULHERES

Em razão das diferenças entre os sexos na dinâmica dos reservatórios virais, do papel do estrogênio na manutenção da latência viral e das sutis diferenças imunológicas entre homens e mulheres, o sexo biológico provavelmente é um fator crucial que afeta o sucesso das estratégias que trabalham para a remissão ou cura do HIV. A afirmação foi de Elieen Scully, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos, em uma apresentação plenária na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI 2020).

Embora metade das novas infecções por HIV ocorra em mulheres e meninas, a inscrição de mulheres cisgêneros e transgêneros em ensaios clínicos e pesquisas básicas tem sido limitada. Se uma cura para o HIV vai funcionar para todas as pessoas, é crucial que mais mulheres estejam envolvidas em pesquisas.

Uma variedade de fatores contribui para diferenças de resposta imune baseadas no sexo, incluindo diferenças anatômicas, microbioma, genética, fenótipos de células imunes e epigenética (extra informação genética que, com a ajuda de modificações de cromatina e DNA, ajuda ou inibe determinados genes). Os dados mostram que a transcrição do HIV e a viremia residual (carga viral no tratamento totalmente supressivo) são mais baixas nas mulheres; que as mulheres têm níveis mais baixos de vírus com capacidade de replicação; e que a recuperação viral leva mais tempo em mulheres, em média, quando o tratamento é interrompido durante o estudo de uma pesquisa.

Dra. Scully enfatizou que essas diferenças não são um problema, mas podem ser uma fonte de descoberta. Assim como a identificação e o estudo de indivíduos únicos, que podem controlar o HIV sem medicação avançou nosso conhecimento, entender as diferenças sexuais pode gerar novos insights que contribuam para o desenvolvimento de uma cura.

“Para otimizar essas intervenções, precisamos trabalhar para entender os fatores subjacentes à variação individual, incluindo o sexo”, afirmou a médica. Para ela, avaliar o impacto do sexo é “simplesmente uma questão de rigor científico”.

Fonte: site do Aidsmap, de 30 de março (https://www.aidsmap.com/news/mar-2020/hiv-cure-may-work-differently-women-and-men)

Para ver o abstract, acesse: http://www.croiconference.org/sessions/sex-differences-hiv

Crédito da imagem: Aehnc Mapuyk/Pixabay