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A PrEP e outras estratégias de prevenção para usuários de aplicativos

 

No Brasil, assim como em outras partes do mundo, aplicativos de relacionamento têm sido a principal plataforma para encontros sexuais entre homens que fazem sexo com homens (HSHs). Na média brasileira, HSHs acessam tais aplicativos três vezes por dia. A dinâmica dos aplicativos é consideravelmente distinta da de outras formas de interação, e esta popularidade aumenta consideravelmente a possibilidade de encontrar parceiros sexuais.

O artigo Conhecimento das estratégias de prevenção e vontade de usar PrEP em HSHs brasileiros que usam aplicativos para encontros sexuais: um estudo online transversal[1] buscou traçar o perfil específico de usuários de aplicativos, com destaque para a percepção de risco e conhecimento das estratégias de prevenção.

O estudo foi realizado através de um questionário online veiculado nos aplicativos Hornet e Grindr no mês de julho de 2016.  Durante este período, usuários eram convidados a responder às perguntas assim que acessavam o aplicativo. Dez capitais brasileiras foram incluídas para a análise – Belém, Manaus, Salvador, Recife, Brasília, Goiânia, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Os indivíduos elegíveis eram maiores de idade, homens cisgênero e com status negativo para o HIV.

Durante os 30 dias de vigência do questionário, 8885 indivíduos consentiram em participar. Destes, 23% eram inelegíveis, 6837 iniciaram o questionário e 5065 o finalizaram. Dentre o total que finalizou o questionário (5065), a maioria era do sudeste do Brasil (70%), possuía idade média de 30 anos e se declarou como classe média ou alta.

Um total de 16% dos respondentes nunca havia feito teste para HIV; dentre as justificativas alegadas, o medo de um resultado positivo esteve entre as mais respondidas. Um número semelhante  apenas se testou uma vez na vida. O perfil de respondentes que nunca fez teste para HIV foi ser mais jovem (entre 21-30 anos) e possuir menor tempo de educação formal.

O conhecimento prévio da PrEP, PEP e auto teste de HIV foi relatado respectivamente por 58% , 57%  e 27%  dos respondentes.

Quanto ao uso da PEP, 9% relataram tê-la usado nos últimos 12 meses. Apesar de estar disponível pelo SUS sem custo desde 2009, o conhecimento e vontade de fazer a PEP foi considerado baixo. Dentre o número que usou a PEP, 82%, 13% , 3% e 3% relataram seuuso, respectivamente 1, 2, 3 e mais de 3 vezes nos últimos 12 meses.

A maior parte dos participantes se enquadraram na categoria de indivíduos que poderiam ser avaliados para o uso da PrEP. No entanto, apenas 58% dos indivíduos já a conheciam.

Por sua vez, cerca de metade dos respondentes afirmou que usaria a PrEP caso estivesse disponível pelo SUS. O questionário examinou também a forma de administração da PrEP preferida de cada um. O resultado foi o seguinte:

PrEP oral diária: 52%

PrEP injetável: 47%

PrEP sob demanda:  36%

PrEP durante curto período de férias 92%

Usariam, caso estivesse disponível comercialmente: 51%

Nunca usariam PrEP: 5%

Poucos dos respondentes haviam ouvido sobre o auto teste de HIV.No entanto, cerca de metade deles preferiram este método para testagem do vírus.

Os resultados dos artigos possuem algumas ressalvas. Um número maior daqueles que finalizaram o questionário era de classe média e alta, brancos e com idade entre 25-36 anos. Deste modo, usuários de aplicativos de outros perfis podem não ter sido devidamente representados. No entanto, muitos dos resultados acompanham os números de estudos com usuários de aplicativos em outros países.

Link para o abstract: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29358160

[1] Autores do artigo: Thiago Silva Torres, Raquel Brandini de Boni, Mauricio TL de Vasconcellos, Paula Mendes Luz, Brenda Hoagland, Ronaldo Ismerio Moreira, Valdilea Gonçalves Veloso, Beatriz Grinsztejn. Título original: Awareness of Prevention Strategies and Willingness to Use Preexposure Prophylaxis in Brazilian Men Who Have Sex With Men Using Apps for Sexual Encounters: Online Cross-Sectional Study

Fonte: http://prepbrasil.com.br/a-prep-e-outras-estrategias-de-prevencao-para-usuarios-de-aplicativos/