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Diversificação da PrEP e a preferência por cada método

A PrEP não pretende ser a única forma de prevenção ao HIV, e sim uma dentre outras opções disponíveis. A ideia é que cada método se adeque aos diferentes perfis daqueles que têm vida sexual ativa. Uma queixa comum para aqueles que não escolhem a PrEP como método preventivo é o receio quanto aos efeitos colaterais dos medicamentos. No entanto, mesmo para aqueles que optam pela PrEP, alguns não se adequam à rotina de tomar as pílulas diariamente. Levando em conta a diversificação de perfis dos usuários, a própria PrEP começa também a ser oferecida em diferentes formatos.

A ingestão de uma pílula diária de emtricitabina/tenofovir é atualmente a maneira mais usual de se prescrever a PrEP. No entanto, três outras opções são atualmente testadas. Uma delas consiste em uma injeção de medicamentos antirretrovirais de longa duração que deve ser tomada a cada 2 meses. Há ainda duas alternativas de implante subcutâneo (por baixo da pele) que libera gradativamente uma dosagem dos medicamentos da PrEP; uma delas é visível a olho nu e a outra é sentida apenas pelo tato. Ambos os implantes têm duração de 12 meses.

Esta diversidade de opções para a PrEP foi investigada pelo artigo “Preferências pelas PrEPs de longa duração, a PrEP oral e a camisinha entre HSHs americanos”[1]. A ideia deste texto foi tentar detectar razões que levam à escolha por um dos métodos da PrEP, levando em conta também a prevenção com o uso de camisinha. O método de investigação do artigo consistiu em um questionário respondido pela internet. Os voluntários deveriam ser maiores de idade, ter nascido no sexo masculino e fazer sexo com homens.

No total, 512 voluntários foram considerados elegíveis para o questionário. As perguntas eram de múltipla escolha e ocasionalmente pediam justificativas das respostas.

Sobre preferência quanto ao método preventivo, 33,8% escolheram a camisinha, enquanto 56,5% se mostraram mais receptivos à PrEP. Do total de pessoas que escolheram a PrEP como método preventivo mais adequado, as preferências foram as seguintes:

  • 21,5% – Implante I (12 meses de duração; tátil, mas imperceptível aos olhos)
  • 17% – Pílula (Ingestão diária)
  • 14,3% – PrEP injetável (nova injeção a cada 2 meses)
  • 3,7% – Implante II (duração de 12 meses; tátil e visível)

Segundo a pesquisa, o principal critério de escolha por um método foi a conveniência. A maioria dos voluntários que escolheu um método de prevenção citou causas como “a facilidade para usar/se lembrar”, “a integração na rotina de cuidados”, “o modo de administração”. Outro importante motivador de preferência foi a privacidade quanto à administração da PrEP. Um dos voluntários, por exemplo, relatou: “Eu posso tomar as pílulas e não me preocupar com ninguém me ver fazendo isso” (22 anos de idade). Sobre o implante visível, um dos voluntários respondeu: “Implantes têm proteção mais extensa e este [implante imperceptível aos olhos] é a opção menos notável dentre as duas opções de implante” (19 anos de idade).

Já a razão para se evitar um método a outro esteve constantemente relacionada à percepção que outros podem ter de alguém que faz uso da PrEP. O motivo porque muitos se mostraram receosos quanto ao implante visível foi o medo de estigmatização, seja por ser confundido com alguém com HIV, seja por ser julgado como promíscuo.

Um dos voluntários da pesquisa afirmou o seguinte: “O implante dura um ano e você pode provar que o tem em seu corpo. Não importa para mim se você pode vê-lo ou não, mas contanto que você possa ao menos senti-lo, pode provar a potenciais parceiros que o tem” (20 anos).

Aqueles que escolheram pelo método da pílula frequentemente justificaram sua preferência por se sentirem desconfortáveis ou terem medo de agulhas e intervenções cirúrgicas. “Injeções e implantes parecem mais invasivos e potencialmente mais danosos. Gosto de ter a possibilidade de controlar quando e como tomar o medicamento com a possibilidade imediata de parar de tomá-lo se eu assim desejar” (24 anos), afirmou um deles.

Participantes que preferiam a camisinha a qualquer método da PrEP, do mesmo modo, justificaram sua escolha pela vantagem de não fazer uso de um medicamento e o desconforto quanto a possíveis efeitos colaterais. De modo geral, quem preferiu a PrEP alegou a privacidade do método e a possibilidade de não usar a camisinha em todas as relações sexuais.

Link para o resumo do artigo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27770215

Fonte da imagem: https://twitter.com/CDC_HIVAIDS

[1]  Título original: “Preferences for Long-Acting Pre-exposure Prophylaxis (PrEP), Daily Oral PrEP, or Condoms for HIV Prevention Among US Men Who Have Sex with Men”.