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CABOTEGRAVIR PARA A PREVENÇÃO DO HIV EM HOMENS CIS E MULHERES TRANS

Em sua edição de 12 de agosto de 2021, o The New England Journal of Medicine publicou o artigo “Cabotegravir para a prevenção do HIV em homens cis e mulheres trans”. Assinado por Raphael Landovitz, da Universidade da Califórnia – Los Angeles, Beatriz Grinsztejn e Lara Coelho, do INI/Fiocruz, além outros autores do Grupo de Estudo HPTN 083, o material trouxe novidades sobre a eficácia do cabotegravir para a prevenção do HIV.

Um ensaio clínico duplo-cego, realizado entre dezembro de 2016e março de 2020, comparou o cabotegravir de ação prolongada (CAB-LA, um inibidor de integrase INSTI), em uma dose de 600mg, administrada por via intramuscular, a cada oito semanas, com tenofovirdisoproxilfumarato/emtricitabina (TDF/FTC) oral diário. O teste foi realizado em homens cisgênero que fazem sexo com homens (HSH) e em mulheres trans que fazem sexo com homens. Os participantes foram designados aleatoriamente para receber um dos dois regimes e foram acompanhados por 153 semanas. Durante esse período, aconteceram visitas médicas regulares, onde foram realizados testes de HIV e avaliações de segurança.

Um total de 4.566 pessoas de 43 cidades dos Estados Unidos, América Latina, Ásia e África,participou da randomização. No momento da inclusão, os participantes deveriam ser maiores de 18 anos, gozar de boa saúde geral e apresentar teste sorológico de HIV negativo. Quinhentos e setenta (12,5%) participantes se identificaram como trans e a idade média foi de 26 anos. Entre os 1.698 participantes dos Estados Unidos, 845 (49,8%) se declararam negros.

A infecção por HIV ocorreu em 52 participantes: 13 no grupo do CAB-LA e 39 no grupo do TDF/FTC. A taxa de risco para infecção pelo vírus no braço do medicamento injetável, em comparação com o braço do medicamento oral, foi de 0,34. Nos participantes em que a infecção pelo HIV foi diagnosticada após exposição ao CAB-LA, foram observados atrasos na detecção de infecção e resistência ao INSTI em cerca de 40% dos casos.

Reações no local da injeção foram relatadas por 81,4% das pessoas, mas apenas 2,4% optaram por não receber mais as aplicações. Com relação às infecções sexualmente transmissíveis, a incidência foi de 13,49% de gonorreia, 16,69% de sífilis e 21,39% de clamídia.

Os pesquisadores concluíram que o CAB-LA foi superior ao TDF/FTC oral diário na prevenção da infecção pelo HIV entre o público HSH e em mulheres trans. Contudo, serão necessárias estratégias para prevenir a resistência ao INSTI em caso de falha no medicamento.

Link para o artigo: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2101016