PREP PELO MUNDO

HPTN 083: PREP INJETÁVEL DEMONSTRA A SUPERIORIDADE DO CABOTEGRAVIR NA PREVENÇÃO AO HIV EM COMPARAÇÃO AO TRUVADA®

A profilaxia pré-exposição (PrEP) está sendo um dos principais destaques  da Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2020), promovida pela International AIDS Society, de forma virtual, de 6 a 10 de julho. Pesquisadores da Rede de Ensaios de Prevenção ao HIV (HPTN), o National Institutes of Health (NIH) e a Glaxo/ViiV anunciaram que o ensaio clínico HPTN 083 comprovou que a eficácia de PrEP contendo cabotegravir de ação prolongada (CAB LA), injetado a cada 8 semanas, é superior a PrEP oral com Truvada® usado diariamente para a prevenção do HIV entre gays/outros homens que fazem sexo com homens (HSH) cisgêneros, travestis e mulheres trans que fazem sexo com homens.

O HPTN 083 é um estudo randomizado, controlado e duplo-cego que compara a segurança e a eficácia dos dois esquemas de PrEP contando com a participação de 4.570 voluntários em 43 centros de pesquisa no do Brasil, Argentina, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Vietnã. O estudo foi desenhado com métricas específicas para alcançar os mais vulneráveis entre os vulneráveis ao HIV – jovens, negros, travestis e mulheres trans.

Após  revisão interina planejada dos dados do estudo, o Conselho Independente de Monitoramento de Dados e Segurança (DSMB) verificou que entre os que usaram o esquema de PrEP com cabotegravir a ocorrência de infecção pelo HIV foi 66% menor do que entre os que usaram Truvada ®. O DSMB recomendou, então, a interrupção da fase cega do estudo, que o cabotegravir injetável de ação prolongada fosse oferecida a todos os participantes do estudo tão logo possível e que os resultados fossem imediatamente divulgados.

“Os resultados do HPTN 083 têm o potencial de transformar o cenário da prevenção do HIV entre HSH cisgêneros e mulheres trans”, disse Raphael J. Landovitz, pesquisador principal do estudo e diretor associado do Centro de Pesquisa e Educação Clínica em Aids da Universidade da Califórnia.

A co-pesquisadora principal do HPTN 083, Beatriz Grinsztejn, diretora do Laboratório de Pesquisas Clínicas em HIV-AIDS, do Instituto de Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, e também co-pesquisadora principal do estudo ImPrEP, destinado a fundamentar a implementação da PrEP no Brasil, Peru e México, complementa: “A adição de PrEP contendo cabotegravir injetável de ação prolongada entre as estratégias para prevenção ao HIV pode diminuir de forma significativa a incidência do vírus nessas populações em todo o mundo e contribuir para acabar com a epidemia”. 

Tanto o cabotegravir quanto o Truvada® forambem tolerados, sendo a maioria dos eventos adversos classificados como leves ou moderados, e equilibrados entre os dois grupos do estudo. Reações no local da injeção foram mais comuns no grupo que usou CAB LA, enquanto náusea foi mais comum no grupo que utilizou Truvada®. A descontinuidade devida a reações no local da injeção ou intolerância à injeção no grupo que utilizou CAB LA foi de 2,2%.

Durante o acompanhamento do ensaio clínico, ocorreram 52 infecções por HIV, sendo 13 no braço do CAB LA (taxa de incidência de 0,41%) e 39 no braço do TDF/FTC (taxa de incidência de 1,22%), correspondendo a uma redução 66% maior nas infecções incidentes por HIV entre os que utilizaram PrEP contendo CAB LA em comparação aos que utilizaram Truvada®.